O encerramento das eleições presidenciais de 2026 não colocou fim às denúncias de assédio eleitoral nas relações de trabalho. Pelo contrário: novos registros de ameaças, constrangimentos e possíveis retaliações políticas continuam chegando ao Ministério Público do Trabalho (MPT).
Dados atualizados pelo órgão mostram que o Brasil contabilizou 2.364 denúncias até terça-feira (27), um crescimento expressivo em relação às 1.937 registradas até o encerramento do segundo turno, no domingo (25).
Foram 427 novos registros em apenas dois dias.
Na Bahia, o MPT contabilizou 79 denúncias ao longo de 2026 e mantém procedimentos de investigação sobre possíveis irregularidades envolvendo empregadores públicos e privados.
Os dados acendem um alerta sobre uma prática que ameaça diretamente a liberdade de consciência, o sigilo do voto e a proteção contra discriminação no trabalho.
Denúncias continuam após o resultado eleitoral
A divulgação dos resultados provocou novos episódios de tensão política em ambientes profissionais e nas redes sociais.
Entre as condutas relatadas estão ameaças de demissão, pressões sobre empregados, constrangimentos e manifestações discriminatórias em razão da preferência por determinado candidato ou partido.
O MPT esclarece que a realização da eleição não elimina a possibilidade de caracterização do assédio eleitoral.
Ameaçar, perseguir ou punir trabalhadores por suas escolhas políticas pode configurar prática discriminatória, mesmo depois de encerrada a votação.
É importante destacar que o número de denúncias representa ocorrências comunicadas ao órgão. O registro não significa que todas as acusações tenham sido comprovadas. Cada situação depende de investigação.
Bahia tem 79 denúncias e atuação judicial
Segundo balanço divulgado pelo MPT na Bahia em 27 de outubro, o estado registrou:
- 79 denúncias de assédio eleitoral em 2026;
- 61 procedimentos ativos;
- Cinco termos de ajuste de conduta;
- Seis ações judiciais ajuizadas, todas com liminares deferidas;
- 45 recomendações expedidas.
Entre os casos que motivaram atuação do Ministério Público estão procedimentos relacionados às redes Total Atacado e Rede Mix, em Salvador e na Região Metropolitana.
No caso do Total Atacado, a Justiça do Trabalho determinou medidas para garantir que empregados escalados no segundo turno pudessem votar.
A decisão foi tomada após denúncia de que trabalhadores teriam encontrado dificuldades para exercer o direito ao voto no primeiro turno.
A empresa foi obrigada a organizar escalas de revezamento e assegurar condições adequadas para o comparecimento às urnas.
Já no caso da Rede Mix, uma decisão judicial determinou a suspensão de elementos de uniformes que poderiam ser associados a candidaturas políticas, diante de investigação sobre possível constrangimento aos funcionários.
As decisões são medidas judiciais específicas e não devem ser confundidas com condenações definitivas sobre o mérito de todas as acusações.
O que caracteriza assédio eleitoral?
O assédio eleitoral pode ocorrer quando alguém utiliza sua posição de autoridade ou influência profissional para constranger trabalhadores em suas escolhas políticas.
Entre os exemplos estão ameaçar empregados de demissão caso determinado candidato vença ou perca, exigir participação em manifestações partidárias, impor propaganda eleitoral ou pressionar funcionários a declarar em quem votaram.





