O Brasil
de 2025 não é o mesmo Brasil de 2021. E não se trata apenas de uma impressão política ou
ideológica. Os números mostram mudanças importantes na economia e na vida
social brasileira.
Nos
últimos cinco anos, o país atravessou uma pandemia que deixou milhões de
mortos, enfrentou inflação, desemprego elevado e perda de renda, retomou o
crescimento econômico e, posteriormente, registrou uma sequência de indicadores
positivos no mercado de trabalho e na redução da pobreza.
Mas há
uma pergunta que os números também obrigam a fazer:
Melhorar
é suficiente quando milhões de brasileiros continuam vivendo em condições muito
diferentes daqueles que estão no topo da pirâmide social?
A
resposta exige olhar para além do PIB.
A economia voltou a andar
Depois do
choque provocado pela pandemia, a economia brasileira retomou o crescimento.
O PIB
cresceu 4,8% em 2021, 2,9% em 2022, 3,2% em 2023, 3,4% em 2024 e 2,3% em 2025.
Não foi
um crescimento espetacular em todos os anos, mas foi uma sequência importante: o
país não voltou a entrar em recessão durante o período.
Em 2024,
a economia brasileira chegou a R$ 11,7 trilhões. Em 2025, alcançou
aproximadamente R$ 12,7 trilhões.
Só que
PIB não compra pão.
O
crescimento econômico é importante, mas só ganha significado social quando se
transforma em emprego, renda, consumo, moradia, educação, saúde e
oportunidades.
E é
justamente no mercado de trabalho que aparece uma das mudanças mais
significativas do período.
O desemprego despencou
Em 2021,
o Brasil ainda carregava os efeitos devastadores da pandemia sobre o mercado de
trabalho.
Nos anos
seguintes, porém, a situação mudou.
A taxa
anual de desemprego caiu para 6,6% em 2024. No final daquele ano, chegou a
6,2%.
Em 2025,
a taxa continuou em níveis historicamente baixos. No trimestre encerrado em
agosto, estava em 5,6%, enquanto o rendimento médio real do trabalhador
alcançava R$ 3.643. Hoje está em 5,3%, menor taxa da história.
É uma
transformação importante.
Mas
existe um "porém" que o Brasil não pode ignorar.
O mercado
de trabalho brasileiro continua marcado pela informalidade e por enormes
diferenças de remuneração.
Em 2024,
trabalhadores brancos recebiam, em média, R$ 24,60 por hora, enquanto pretos e
pardos recebiam R$ 15.
Entre
homens e mulheres, a diferença também permanece.
Ou seja: o
Brasil criou mais empregos, mas ainda não criou igualdade.
Milhões saíram da pobreza
Talvez
seja no combate à pobreza que os números sociais apresentem uma das mudanças
mais expressivas.
Entre
2023 e 2024, segundo o IBGE, 8,6 milhões de brasileiros deixaram a pobreza.
A
proporção da população nessa situação caiu de 27,3% para 23,1%.
Na
extrema pobreza, 1,9 milhão de pessoas deixaram essa condição.
Os
programas de transferência de renda tiveram papel importante nesse resultado.
O IBGE
calcula que, sem os benefícios sociais, a extrema pobreza teria alcançado 10%
da população em 2024, em vez dos 3,5% registrados.
Isso
revela duas coisas.
A
primeira é que políticas de transferência de renda podem produzir efeitos
concretos sobre a pobreza.
A segunda
é que o Brasil ainda depende delas porque a economia, sozinha, não consegue
distribuir renda de maneira suficientemente equilibrada.
Quase um
quarto da população ainda estava abaixo da linha de pobreza utilizada pelo
IBGE.
E a
pobreza continua atingindo de maneira desproporcional mulheres, crianças,
negros e moradores das regiões mais pobres do país.
Saúde: o SUS continua sendo uma espécie de seguro
social dos brasileiros
Se existe
uma instituição que ganhou dimensão histórica durante esses cinco anos, foi o
Sistema Único de Saúde.
A
pandemia revelou suas limitações, mas também mostrou sua importância.
Vacinação,
atendimento hospitalar, vigilância epidemiológica, distribuição de medicamentos
e atendimento básico fizeram do SUS uma das principais estruturas de proteção
social do país.
Depois da
emergência sanitária, veio outro desafio: reconstruir coberturas vacinais,
recuperar serviços represados e responder ao envelhecimento da população.
O Brasil está ficando mais velho.
E isso
significa que o sistema de saúde terá de lidar cada vez mais com doenças
crônicas, tratamentos prolongados e necessidade de cuidados para uma população
idosa crescente.
A questão
não será apenas construir hospitais.
Será
preciso prevenir doenças, ampliar a atenção básica e garantir que o cidadão
consiga chegar ao especialista antes que o problema vire emergência.
Educação: avançamos no acesso, mas continuamos
devendo na qualidade e na igualdade
Na
educação, o Brasil também tem duas histórias para contar.
Uma é a
história do avanço.
Outra é a
história daquilo que ainda não conseguimos resolver.
A média
de anos de estudo dos brasileiros jovens aumentou e a frequência escolar
melhorou.
Mas o
analfabetismo continua existindo e apresenta diferenças regionais assustadoras.
Em 2024,
a taxa nacional de analfabetismo entre pessoas de 15 anos ou mais era de 5,3%.





