Enquanto multidões dançam forró durante o São João, existe um trabalho menos visível acontecendo durante o restante do ano: formar quem tocará essa música no futuro.
No Centro Histórico de Salvador, uma iniciativa vem tentando garantir que sanfona, zabumba e triângulo continuem passando de uma geração para outra.
A Escola de Forró de Raiz Asa Branca, mantida pela Associação Cultural Asa Branca dos Forrozeiros da Bahia, oferece formação musical gratuita dedicada aos instrumentos tradicionais do gênero.
As aulas incluem sanfona, zabumba, triângulo e pandeiro e acontecem no Santo Antônio Além do Carmo. A proposta é democratizar o acesso aos instrumentos e formar novos músicos ligados ao forró tradicional.
Uma escola para preservar uma tradição
A ideia de criar um espaço de formação não surgiu agora.
A Associação Cultural Asa Branca nasceu em 2007, inicialmente em Simões Filho, na Região Metropolitana de Salvador. À frente da entidade está Marizete Nascimento, que assumiu a presidência em 2010 e tornou a defesa do forró tradicional uma das bandeiras da organização.
A escola começou a funcionar em 2025. Segundo reportagem do Correio, sua implantação contou inicialmente com quatro professores e instrumentos adquiridos para permitir que os alunos aprendessem mesmo sem possuir o próprio equipamento — uma questão especialmente relevante no caso da sanfona, cujo custo pode dificultar o acesso de iniciantes.
A lógica é simples: preservar uma manifestação cultural não significa apenas manter gravações, documentos ou homenagear seus grandes nomes.
É preciso ensinar alguém a tocar.
O desafio de formar novos sanfoneiros
A sanfona talvez seja o maior símbolo musical das festas juninas nordestinas, mas sua continuidade depende da existência de novos instrumentistas.
Em entrevista ao A Tarde neste ano, o professor e sanfoneiro Henrique Badermann apontou justamente a ampliação do acesso ao instrumento e a existência de projetos culturais e programas de ensino como caminhos para garantir sua continuidade. Festivais, oficinas e a presença da sanfona nas escolas também ajudam a aproximar novas gerações dessa tradição.
É nesse espaço que iniciativas como a Escola Asa Branca ganham relevância.
O aluno pode entrar sem saber tocar e começar a compreender não apenas um instrumento, mas uma linguagem musical construída por gerações de artistas nordestinos.
Muito além do São João
A iniciativa também ajuda a enfrentar uma característica do mercado do forró: sua enorme exposição durante o período junino e a necessidade de manter atividades de formação, circulação e trabalho durante todo o ano.
Para a presidente da Associação Asa Branca, a escola integra um esforço mais amplo por políticas públicas destinadas à manutenção da tradição.





