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DEPENDÊNCIA PSICOLÓGICA

Fim das bets acende alerta para dependência: saiba como buscar tratamento gratuito pelo SUS

Com novos depósitos já proibidos e plataformas obrigadas a sair do ar a partir de 6 de outubro, brasileiros que desenvolveram problemas com apostas podem encontrar atendimento psicológico e acompanhamento gratuito na rede pública de saúde

João Branko | Redação HOJE BAHIA
Publicada em 27 de setembro de 2026 às 12:43 • Salvador - BA
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O fim das bets no Brasil acende um novo alerta de saúde pública: pessoas que desenvolveram dependência em apostas podem buscar acolhimento e tratamento gratuito pelo SUS, inclusive por meio do Meu SUS Digital.
O fim das bets no Brasil acende um novo alerta de saúde pública: pessoas que desenvolveram dependência em apostas podem buscar acolhimento e tratamento gratuito pelo SUS, inclusive por meio do Meu SUS Digital. — Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial / Hoje Bahia.

O Brasil decidiu colocar fim às bets. Mas desligar os aplicativos não significa, necessariamente, desligar a dependência.

A proibição das apostas de quota fixa no país, determinada pela Medida Provisória nº 1.394, de 25 de setembro de 2026, abre agora uma questão de saúde pública: o que fazer com as pessoas que desenvolveram uma relação problemática ou compulsiva com os jogos e apostas on-line?

Para quem está nessa situação — e também para seus familiares — existe atendimento gratuito pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

E o primeiro pedido de ajuda pode ser feito pelo próprio celular.

O QUE ACONTECEU COM AS BETS?

Na sexta-feira, 25 de setembro, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva editou a Medida Provisória nº 1.394/2026, proibindo em todo o território nacional a exploração, oferta, intermediação e publicidade das loterias de apostas de quota fixa.

A medida alcança tanto apostas sobre eventos esportivos quanto jogos on-line, inclusive operações oferecidas do exterior para pessoas localizadas no Brasil.

A proibição também alcança as operações estaduais e do Distrito Federal.

As demais modalidades lotéricas autorizadas por lei não foram incluídas na proibição.

O FIM SERÁ GRADUAL

Embora a proibição já tenha sido estabelecida pela MP, existe um período de transição para encerramento das operações.

Novos depósitos nas bets estão proibidos.

Quem ainda possui dinheiro depositado nas plataformas tem até 23h59 de 5 de outubro para solicitar voluntariamente a retirada.

A partir de 6 de outubro, os sites e aplicativos das bets deverão sair do ar.

Entre 7 e 8 de outubro, as empresas deverão informar às instituições financeiras os valores que permanecerem nas contas dos apostadores.

Entre 9 e 14 de outubro, os bancos deverão devolver esses recursos aos respectivos titulares.

Nos casos em que houver impedimento para a devolução, a Caixa Econômica Federal poderá intermediar o pagamento a partir de 14 de outubro.

MAS O QUE ACONTECE COM QUEM SE TORNOU DEPENDENTE?

É justamente aqui que surge uma consequência da proibição que merece atenção.

Para algumas pessoas, apostar não era apenas entretenimento.

O Transtorno do Jogo é reconhecido como um transtorno de comportamento aditivo. Entre os sinais de alerta estão apostar durante mais tempo ou gastar mais dinheiro do que havia planejado, preocupação constante com apostas e alterações no sono, no humor, na rotina e nas relações familiares e sociais.

Portanto, retirar o acesso às plataformas pode interromper a possibilidade imediata de apostar nas empresas legais, mas não substitui tratamento para quem desenvolveu dependência.

O Ministério da Saúde já havia estruturado uma rede específica para atender esse público.

PEÇA AJUDA PELO MEU SUS DIGITAL

Uma das portas de entrada está dentro do aplicativo Meu SUS Digital.

O procedimento é simples:

  1. Abra o aplicativo Meu SUS Digital ou acesse sua versão web;
  2. entre utilizando a conta gov.br;
  3. na página inicial, selecione “Miniapps”;
  4. escolha “Problemas com jogos de apostas?”;
  5. responda ao autoteste.

O questionário procura identificar como está a relação da pessoa com as apostas.

Quando o resultado aponta risco moderado ou elevado, o encaminhamento para teleatendimento é realizado automaticamente.

Nos demais casos, o aplicativo apresenta orientações sobre os serviços disponíveis na Rede de Atenção Psicossocial.

O AUTOTESTE NÃO É DIAGNÓSTICO

É importante entender a finalidade da ferramenta.

Responder ao questionário não significa receber automaticamente um diagnóstico de dependência.

Ele funciona como instrumento de triagem, permitindo identificar sinais de comportamento problemático e indicar qual tipo de cuidado pode ser mais adequado.

O diagnóstico e o tratamento devem ser conduzidos por profissionais de saúde.

EXISTE ATENDIMENTO PSICOLÓGICO À DISTÂNCIA

O SUS oferece teleatendimento especializado em saúde mental para pessoas com problemas relacionados a jogos e apostas.

O serviço é gratuito e sigiloso.

Isso significa que uma pessoa que tenha desenvolvido dependência durante o período de expansão das bets não precisa necessariamente esperar conseguir uma consulta presencial para começar a procurar ajuda.

O atendimento pode começar remotamente.

E existe outro detalhe importante: familiares também podem utilizar o serviço, recebendo acolhimento, orientação e acompanhamento.

TAMBÉM É POSSÍVEL IR DIRETAMENTE AO SUS

Quem não utiliza o Meu SUS Digital ou prefere atendimento presencial pode procurar uma Unidade Básica de Saúde (UBS).

A UBS funciona como uma das portas de entrada.

A pessoa pode ser acolhida, orientada e passar por uma avaliação inicial.

Quando houver necessidade de acompanhamento especializado em saúde mental, poderá ser encaminhada para um Centro de Atenção Psicossocial (CAPS).

O atendimento é gratuito.

COMO PERCEBER QUE A APOSTA SE TORNOU UM PROBLEMA?

Alguns comportamentos devem funcionar como sinais de alerta.

Entre eles estão:

  • gastar mais do que havia planejado;
  • permanecer apostando durante períodos cada vez maiores;
  • pensar constantemente em jogos e apostas;
  • tentar recuperar em novas apostas aquilo que perdeu anteriormente;
  • comprometer dinheiro destinado às despesas da família;
  • esconder apostas ou prejuízos;
  • ter dificuldade de parar mesmo depois de sucessivas perdas;
  • apresentar alterações de humor ou sono;
  • prejudicar relações familiares, profissionais ou sociais por causa do jogo.

O problema merece ainda mais atenção quando a pessoa reconhece os prejuízos, tenta parar e não consegue.

PROIBIR O JOGO NÃO ELIMINA IMEDIATAMENTE A DEPENDÊNCIA

Esse talvez seja o principal alerta de saúde pública neste momento.

Durante anos, milhões de brasileiros foram expostos a plataformas disponíveis 24 horas por dia, acessíveis pelo celular e estruturadas com mecanismos como notificações, bônus, apostas em tempo real e recompensas variáveis.

Agora, a oferta legal dessas apostas está sendo encerrada.

Mas pessoas que desenvolveram comportamento compulsivo podem continuar apresentando ansiedade, irritabilidade, desejo de apostar ou procurar alternativas clandestinas.

Por isso, o período posterior ao encerramento das plataformas merece atenção das famílias e dos serviços de saúde.

A proibição pode retirar o acesso ao produto. O tratamento cuida da pessoa.

CUIDADO COM AS BETS CLANDESTINAS

Outro ponto merece atenção.

O encerramento das plataformas autorizadas não significa que tentativas de operação ilegal desaparecerão automaticamente.

A MP criou mecanismos de fiscalização e o governo anunciou reforço na identificação e derrubada de sites ilegais, bloqueio de contas bancárias utilizadas irregularmente e integração de informações entre órgãos públicos.

Para uma pessoa com comportamento compulsivo, migrar para plataformas clandestinas pode acrescentar outros riscos aos já existentes, inclusive fraude, ausência de mecanismos de proteção e dificuldade de recuperar dinheiro.

Por isso, quem perceber vontade persistente de continuar apostando deve considerar esse comportamento um sinal para procurar ajuda.

A FAMÍLIA TEM PAPEL IMPORTANTE

O impacto da dependência em jogos dificilmente fica restrito ao apostador.

Dívidas, empréstimos, venda de bens, comprometimento do orçamento doméstico, mentiras e conflitos podem atingir toda a família.

Familiares também podem procurar a rede pública e utilizar o teleatendimento oferecido pelo SUS para receber orientação.

Cobranças ou julgamentos, isoladamente, não constituem tratamento. Quando existe perda de controle, a orientação profissional pode ser necessária.

SERVIÇO — ONDE BUSCAR AJUDA

📱 Meu SUS Digital

Abra o aplicativo → faça login com gov.br → Miniapps → “Problemas com jogos de apostas?” → faça o autoteste.

🧠 Resultado com risco moderado ou elevado

O sistema pode realizar o encaminhamento automático para teleatendimento especializado em saúde mental.

🏥 Atendimento presencial

Procure uma Unidade Básica de Saúde (UBS). Quando necessário, o paciente poderá ser encaminhado para um Centro de Atenção Psicossocial (CAPS).

👨‍👩‍👧‍👦 Familiares

Também podem procurar acolhimento e orientação.

💰 Tem dinheiro em uma bet?

A retirada voluntária dos saldos poderá ser feita até 23h59 de 5 de outubro. Os sites e aplicativos deverão sair do ar a partir de 6 de outubro.

UMA NOVA ETAPA DO PROBLEMA

Durante os últimos anos, o debate brasileiro concentrou-se principalmente na expansão das bets, no endividamento das famílias, na publicidade, na regulamentação e nos efeitos econômicos das apostas.

Com a decisão de proibi-las, começa uma nova etapa.

Milhões de brasileiros deixarão de ter acesso às plataformas legais. Para a maioria, isso pode significar simplesmente o fim de uma atividade. Para uma parcela, entretanto, pode representar o início de um período difícil de abstinência comportamental e necessidade de acompanhamento.

É para essas pessoas que a informação precisa chegar agora: se você perdeu o controle sobre as apostas, não precisa enfrentar o problema sozinho. O tratamento está disponível gratuitamente pelo SUS.

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