A afirmação de Flávio Bolsonaro (PL) de que seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, elevou o benefício social para R$ 600 tem uma base factual: o Auxílio Brasil passou a pagar esse valor durante o governo Bolsonaro, em agosto de 2022. A mudança, porém, tinha prazo para acabar em dezembro daquele ano. Meses depois, Flávio votou contra a PEC da Transição, proposta que abriu espaço orçamentário para manter o pagamento de R$ 600 em 2023.
O histórico exige distinguir as duas votações. O senador apoiou a ampliação temporária durante o governo do pai e se opôs ao texto mais amplo negociado pela equipe de transição de Lula após a eleição. Portanto, dizer apenas que Flávio “votou contra os R$ 600”, sem explicar a data e a proposta, omite uma parte relevante dos acontecimentos.
Em junho de 2022, Flávio votou a favor
Em 30 de junho de 2022, o Senado aprovou a PEC 1/2022, conhecida como PEC do Estado de Emergência. O registro nominal mostra Flávio Bolsonaro entre os votos favoráveis. A proposta passou por 72 votos a 1 no primeiro turno e por 67 a 1 no segundo.
A medida deu origem à Emenda Constitucional 123, promulgada pelo Congresso em 14 de julho. Entre outras ações, o texto estabeleceu um adicional mensal de R$ 200 para as famílias do Auxílio Brasil, elevando o pagamento mínimo de R$ 400 para R$ 600.
A própria emenda delimitou a duração: cinco meses, de agosto a dezembro de 2022. Não se tratava, naquele momento, de uma garantia permanente de R$ 600 para os anos seguintes.
Orçamento enviado por Bolsonaro não assegurava os R$ 600 em 2023
O projeto de Orçamento para 2023 encaminhado pelo governo Bolsonaro ao Congresso previa recursos para um benefício médio de aproximadamente R$ 405.
Na apresentação da proposta, em agosto de 2022, o então secretário especial do Tesouro e Orçamento, Esteves Colnago, reconheceu que seriam necessários pelo menos R$ 52 bilhões adicionais para sustentar o pagamento de R$ 600 no ano seguinte. A informação consta da cobertura oficial do Senado.
Isso significa que o governo Bolsonaro efetivamente pagou os R$ 600 em 2022, mas deixou a continuidade desse valor dependente de novas decisões legislativas e orçamentárias.
Em dezembro, Flávio votou contra a PEC da Transição
Após a vitória de Lula, a equipe do presidente eleito negociou a PEC 32/2022, conhecida como PEC da Transição. A proposta criava espaço fiscal para despesas de 2023, incluindo a manutenção do benefício de R$ 600 e a implementação de um adicional para crianças.
Em 7 de dezembro, Flávio votou contra o texto nos dois turnos. As listas oficiais do Senado registram seu voto “não” tanto na primeira votação quanto na segunda. A PEC foi aprovada por 64 votos a 16 e, depois, por 64 a 13.
Também está registrado o pronunciamento em que ele anunciou a posição da bancada:
“Como Líder do PL, vou encaminhar voto contra a PEC do jeito que está”, afirmou.





