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Fluxo anormal de dados atinge TSE e trava apuração por cerca de uma hora; origem ainda é desconhecida

Tribunal acionou protocolo de segurança e isolou sistemas após detectar volume de dados acima do normal durante a totalização. Episódio ocorre no mesmo dia em que a PF confirma apuração sobre possível interferência estrangeira nas eleições, mas até agora não há evidência pública de invasão ou alteração de votos.

João Branko | Redação HOJE BAHIA
Publicada em 05 de outubro de 2026 às 00:06 • Salvador - BA
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Imagem ilustrativa representa a ocorrência tecnológica registrada durante a apuração das Eleições 2026. O TSE confirmou fluxo de dados acima do normal, congestionamento e acionamento de protocolo de segurança, mas ainda não há confirmação de ataque hacker nem evidência de alteração de votos.
Imagem ilustrativa representa a ocorrência tecnológica registrada durante a apuração das Eleições 2026. O TSE confirmou fluxo de dados acima do normal, congestionamento e acionamento de protocolo de segurança, mas ainda não há confirmação de ataque hacker nem evidência de alteração de votos. — Imagem ilustrativa / Hoje Bahia – gerada com auxílio de IA.

Um episódio ainda não completamente esclarecido atingiu a infraestrutura tecnológica do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) durante a totalização dos votos do primeiro turno das Eleições 2026 neste domingo (4).

Por volta das 19h, a atualização nacional da eleição presidencial praticamente parou quando aproximadamente 64% das seções eleitorais haviam sido totalizadas.

A interrupção durou cerca de uma hora. Por volta das 20h, a divulgação voltou a avançar e saltou para aproximadamente 84%.

Horas depois, o presidente do TSE, ministro Kassio Nunes Marques, confirmou que ocorreu um “congestionamento de dados” e revelou um elemento que agora precisa ser tecnicamente esclarecido: a equipe de Tecnologia da Informação do Tribunal identificou um fluxo de dados superior ao normal.

O Tribunal acionou um protocolo de segurança.

Segundo Nunes Marques, sistemas foram isolados para permitir que o fluxo fosse processado e, posteriormente, religados. O presidente do TSE afirmou ainda que não era possível determinar imediatamente se o congestionamento havia sido provocado por outro problema.

A informação abre uma questão que deverá ser respondida pelas análises técnicas da Justiça Eleitoral:

O que provocou o fluxo de dados acima do normal justamente durante a totalização da eleição presidencial?

Até agora, o TSE não informou que sofreu ataque hacker.

O que o TSE confirmou

O que está confirmado oficialmente é mais específico — e também mais limitado.

Houve congestionamento, fluxo de dados superior ao habitual, atraso de aproximadamente uma hora e acionamento de protocolo de segurança.

Segundo o relato de Nunes Marques, para permitir o processamento do fluxo foi necessário isolar outros sistemas e posteriormente religá-los.

Essas informações são suficientes para caracterizar uma ocorrência tecnológica relevante. Não são suficientes, entretanto, para caracterizá-la como ataque cibernético.

Um ataque DDoS poderia produzir sintomas semelhantes

Uma das hipóteses técnicas que naturalmente deverá ser descartada ou confirmada pelos especialistas é um eventual ataque de negação de serviço distribuído, conhecido como DDoS.

Nesse tipo de ataque, grande quantidade de dispositivos envia simultaneamente requisições a determinado serviço, produzindo um volume de tráfego capaz de degradar ou tornar indisponível a infraestrutura atingida.

O efeito externo pode ser semelhante ao congestionamento observado neste domingo.

Mas há uma diferença fundamental:

Tráfego acima do normal não comprova um DDoS.

Um pico legítimo de consultas, uma concentração inesperada de transmissões, problemas internos de processamento, balanceamento de carga ou falhas em componentes da infraestrutura também podem produzir congestionamento.

Somente a análise dos registros técnicos poderá determinar a causa.

TSE já estabelece limite para requisições

Há um detalhe na documentação técnica da própria Justiça Eleitoral que ajuda a compreender a dimensão do problema.

O TSE disponibiliza uma infraestrutura oficial para que veículos de comunicação, empresas e outras entidades obtenham os arquivos públicos de resultados diretamente dos servidores eleitorais.

Para as Eleições 2026, o Tribunal estabelece um limite de 100 requisições por IP por segundo.

Quando esse limite é ultrapassado, o endereço pode sofrer bloqueio por dez minutos. Uma nova tentativa antes do término reinicia o período de bloqueio.

A regra funciona justamente como uma camada de proteção contra utilização excessiva da infraestrutura de divulgação.

Por isso, uma das questões técnicas relevantes será descobrir em qual parte da infraestrutura ocorreu o fluxo anormal.

Divulgação, totalização e urnas não são a mesma coisa

Essa distinção é decisiva.

Existem pelo menos três componentes diferentes que podem ser confundidos pelo público: a urna que registra e apura os votos; o sistema que recebe e totaliza os Boletins de Urna; e a infraestrutura que divulga os resultados ao público.

A urna realiza sua própria apuração depois do encerramento da votação e produz o Boletim de Urna (BU) daquela seção.

Posteriormente, esses boletins são transmitidos para os centros de processamento da Justiça Eleitoral e reunidos na totalização nacional.

O Portal Resultados apresenta ao público essa totalização.

Portanto, um problema no sistema de divulgação não significa automaticamente problema na urna nem alteração da apuração produzida por ela.

Não há evidência pública de alteração de votos

Esse é o ponto mais importante.

Até o momento desta publicação, não existe evidência pública de que votos tenham sido modificados, que Boletins de Urna tenham sido adulterados ou que hackers tenham penetrado nas urnas eletrônicas.

Também não existe confirmação oficial de invasão da infraestrutura de totalização.

O episódio confirmado é um congestionamento acompanhado por fluxo de dados acima do habitual, cuja causa ainda não foi esclarecida.

Portanto, afirmar neste momento que “hackers atacaram a eleição” extrapolaria as evidências disponíveis.

Episódio ocorre no mesmo dia de investigação sobre interferência externa

O contexto, entretanto, torna a ocorrência particularmente sensível.

Horas antes do congestionamento, o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, confirmou que a corporação iniciou uma averiguação sobre possível interferência externa nas eleições brasileiras.

O procedimento foi aberto após representação da Advocacia-Geral da União e encaminhado à Diretoria de Inteligência da PF.

Até agora, não existe informação de que a PF tenha relacionado essa investigação ao congestionamento ocorrido no TSE.

Qualquer conexão entre os dois episódios, neste momento, seria especulação.

A pergunta que o TSE ainda precisa responder

A questão central deixou de ser se houve lentidão. Isso está confirmado.

Também está confirmado que houve fluxo de dados superior ao normal e que um protocolo de segurança precisou ser acionado.

A pergunta agora é:

Quem — ou o quê — produziu esse fluxo?

Se a resposta for simplesmente uma sobrecarga legítima, o episódio terá sido uma intercorrência tecnológica importante, mas explicável.

Se forem identificadas requisições artificiais coordenadas, redes de máquinas comprometidas ou tráfego deliberadamente direcionado contra a infraestrutura eleitoral, o caso muda de dimensão e poderá configurar ataque cibernético.

E se eventualmente houver origem estrangeira comprovada, o episódio ganhará relevância ainda maior diante da investigação já aberta pela Polícia Federal sobre possível interferência externa nas Eleições 2026.

Nenhum desses cenários, entretanto, está comprovado neste momento.

O que sabemos até agora

CONFIRMADO: houve congestionamento; a totalização presidencial ficou praticamente parada durante cerca de uma hora; a equipe de TI identificou fluxo de dados superior ao normal; sistemas foram isolados; e um protocolo de segurança foi acionado.

AINDA NÃO CONFIRMADO: ataque hacker, DDoS, origem estrangeira, invasão dos sistemas de totalização ou relação entre a ocorrência e a investigação da PF.

SEM EVIDÊNCIA ATÉ AGORA: alteração de votos, adulteração de Boletins de Urna ou comprometimento das urnas eletrônicas.

O Hoje Bahia seguirá acompanhando as manifestações técnicas do TSE e dos órgãos de segurança para atualizar esta reportagem assim que houver esclarecimento sobre a origem do fluxo anormal registrado durante a apuração.

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