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BENEFÍCIOS

Governo desmente cortes no Bolsa Família e recuo no fim da escala 6x1 após eleições

Planalto afirma que programas sociais permanecem ativos e que a Emenda Constitucional 141, que garante dois dias de descanso semanal, não sofreu alterações após o segundo turno

João Branko | Redação HOJE BAHIA
Publicada em 28 de outubro de 2026 às 08:24 • Salvador - BA
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Montagem ilustrativa reúne elementos do Bolsa Família, do Gás do Povo e dos direitos trabalhistas. Após a circulação de informações sobre possíveis cortes nos benefícios sociais e mudanças na jornada de trabalho, o governo federal negou as alegações e reafirmou a continuidade dos programas e das garantias previstas na legislação.
Montagem ilustrativa reúne elementos do Bolsa Família, do Gás do Povo e dos direitos trabalhistas. Após a circulação de informações sobre possíveis cortes nos benefícios sociais e mudanças na jornada de trabalho, o governo federal negou as alegações e reafirmou a continuidade dos programas e das garantias previstas na legislação. — Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial / Hoje Bahia.

O governo federal divulgou nesta terça-feira (27) um alerta sobre a circulação de informações falsas envolvendo o Bolsa Família, o Gás do Povo e o fim da escala de trabalho 6x1.

As publicações, disseminadas após o segundo turno das eleições presidenciais, afirmam que o governo estaria preparando cortes em programas de transferência de renda e pretendendo recuar nas mudanças constitucionais que ampliam o descanso semanal dos trabalhadores.

A Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República (Secom) negou as alegações.

Segundo o governo, não houve suspensão dos programas sociais nem alterações na Emenda Constitucional nº 141, promulgada em 16 de outubro de 2026.

O Hoje Bahia verificou também que o texto da emenda permanece disponível nos registros oficiais da legislação federal.

Bolsa Família continua funcionando

O Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social (MDS) informou que são falsas as alegações de suspensão dos pagamentos ou de cortes nos benefícios do Bolsa Família.

Segundo a pasta, em outubro houve reajuste de 15,04% no valor mínimo do benefício por família, que passou de R$ 600 para R$ 691.

O programa continua atendendo famílias que se enquadram nos critérios legais e cadastrais.

As regras individuais de elegibilidade, composição familiar e adicionais previstos na legislação continuam relevantes para definir os valores efetivamente recebidos pelos beneficiários.

O governo recomenda que dúvidas sejam esclarecidas pelos canais oficiais, e não por publicações sem identificação de origem.

Gás do Povo também está mantido

Outro alvo das informações falsas é o Gás do Povo, programa que garante a recarga gratuita do botijão de gás de cozinha de 13 quilos às famílias contempladas.

O MDS informou que não houve determinação de encerramento do benefício.

De acordo com o governo, o programa tem orçamento assegurado para 2026 e previsão de recursos na proposta orçamentária de 2027, que ainda depende da análise do Congresso Nacional.

É importante distinguir a previsão orçamentária da aprovação definitiva dos recursos para o próximo exercício.

Fim da escala 6x1 já está na Constituição

Uma das informações de maior repercussão nas redes sociais afirma que, depois das eleições, o governo teria desistido de implementar o fim da escala 6x1.

Essa afirmação não corresponde ao conteúdo da legislação promulgada.

A Emenda Constitucional nº 141, de 16 de outubro de 2026, estabeleceu uma transição para a redução da jornada máxima de trabalho e a garantia de dois dias de repouso semanal remunerado.

O texto constitucional prevê a preservação da remuneração dos trabalhadores.

A mudança não depende de uma nova promessa eleitoral: trata-se de uma emenda já promulgada pelo Congresso Nacional.

Quando as novas regras começam a valer?

O cronograma legal prevê a implementação gradual:

15 de dezembro de 2026: início da nova etapa, com garantia de dois dias de repouso semanal remunerado e redução da jornada máxima de 44 para 42 horas semanais.

Após a transição de 14 meses contados da promulgação: a jornada máxima será reduzida para 40 horas semanais, mantida a proteção salarial.

A emenda prevê possibilidades de compensação e regimes diferenciados nas condições estabelecidas pela própria Constituição, inclusive mediante negociação coletiva.

Essas exceções não significam que o governo tenha revogado a alteração constitucional.

O diálogo com setores econômicos envolve a aplicação das regras já aprovadas.

Governo pode simplesmente cancelar a mudança?

Não.

Uma emenda constitucional promulgada integra o texto da Constituição e não pode ser revogada unilateralmente pelo presidente da República.

Eventuais mudanças constitucionais posteriores dependeriam de novo processo legislativo, observados os requisitos previstos na Constituição.

Portanto, a afirmação de que o Executivo poderia simplesmente desistir de aplicar a emenda não corresponde ao funcionamento do sistema constitucional brasileiro.

Como identificar informações falsas

Publicações sobre cortes de benefícios, mudanças em calendários ou perda de direitos devem ser verificadas junto às instituições responsáveis.

Para o Bolsa Família, os canais oficiais incluem o aplicativo Bolsa Família, o Caixa Tem e o telefone 111, da Caixa Econômica Federal.

O Disque Social 121 atende dúvidas relacionadas às políticas do Ministério do Desenvolvimento Social.

Informações sobre mudanças na legislação trabalhista podem ser consultadas nos portais do Congresso Nacional, do Ministério do Trabalho e da Presidência da República.

Checagem Hoje Bahia

Alegação: o Bolsa Família sofrerá cortes após as eleições.

Resultado: FALSA, segundo os comunicados oficiais. O governo informa continuidade dos pagamentos e benefícios.

Alegação: o programa Gás do Povo será encerrado.

Resultado: FALSA. O programa permanece em funcionamento, com recursos previstos para o próximo exercício.

Alegação: o governo desistiu do fim da escala 6x1.

Resultado: FALSA. A Emenda Constitucional 141 já foi promulgada e permanece válida.

A circulação de informações falsas sobre direitos sociais pode gerar insegurança entre milhões de famílias.

A orientação é verificar a origem de cada informação antes de compartilhá-la, especialmente quando envolver renda, emprego e benefícios essenciais.

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