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SOLIDARIEDADE

Música que acolhe: solidariedade ajuda a tornar mais leve a rotina de crianças no Martagão Gesteira

Além das doações que ajudam a manter uma das principais instituições de saúde pediátrica da Bahia, ações voluntárias levam música, cultura, atenção e afeto a crianças e adolescentes em tratamento

João Branko | Redação HOJE BAHIA
Publicada em 29 de setembro de 2026 às 14:00 • Salvador - BA
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Instrumentos tradicionais do forró simbolizam a música como forma de acolhimento no Hospital Martagão Gesteira, onde iniciativas culturais e solidárias ajudam a tornar mais leve a rotina de crianças e adolescentes em tratamento.
Instrumentos tradicionais do forró simbolizam a música como forma de acolhimento no Hospital Martagão Gesteira, onde iniciativas culturais e solidárias ajudam a tornar mais leve a rotina de crianças e adolescentes em tratamento. — Arte: Hoje Bahia / Imagem gerada com inteligência artificial.

Há formas de ajudar que cabem em uma transferência bancária. Outras exigem algo que não pode ser recuperado: tempo.

No Hospital Martagão Gesteira, em Salvador, essas duas formas de solidariedade se encontram diariamente. De um lado, estão as contribuições fundamentais para ajudar a sustentar uma instituição filantrópica que realiza cerca de 230 mil atendimentos gratuitos por ano, possui 189 leitos e atende crianças e adolescentes em 27 especialidades médicas. Do outro, existe uma rede de pessoas que oferece presença, música, brincadeiras, cultura e acolhimento.

Mantido pela Liga Álvaro Bahia Contra a Mortalidade Infantil, o Martagão completou 60 anos em 2025 e tornou-se uma das principais referências do estado no atendimento pediátrico de alta complexidade pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Entre as áreas atendidas estão oncologia, cardiologia, neurologia, ortopedia, nefrologia e diversas especialidades cirúrgicas.

Na oncologia pediátrica, os números ajudam a dimensionar essa importância. Segundo informações divulgadas pela própria instituição referentes a 2025, o hospital responde por 48% dos tratamentos oncológicos pediátricos realizados pelo SUS na Bahia.

Mas quem passa dias, semanas ou meses acompanhando uma criança em tratamento sabe que o cuidado não termina quando acaba uma consulta ou um procedimento médico.

Quando cuidar também significa acolher

A própria estrutura do Martagão incorpora iniciativas de humanização. O hospital possui um Grupo de Trabalho de Humanização e desenvolve ou recebe atividades destinadas a tornar o ambiente hospitalar mais acolhedor para pacientes e familiares.

Um exemplo é o Coral Vozes da Vida, formado por pacientes e ex-pacientes da oncologia pediátrica. Em visita ao Martagão, em março de 2026, a ministra da Cultura, Margareth Menezes, conheceu o projeto e destacou o papel das atividades culturais no bem-estar das crianças durante o processo de recuperação.

É nesse universo que música, arte e ações voluntárias ganham um significado diferente.

Uma canção não substitui medicamento. Uma apresentação não substitui médico, enfermeiro ou tratamento. Mas pode proporcionar alguns minutos nos quais uma criança deixa de ser apenas paciente para voltar a ser simplesmente criança.

E isso também é acolhimento.

O forró entrando no hospital

Nesta quinta-feira, 1º de outubro, uma dessas iniciativas levará o som da sanfona e do forró ao Martagão Gesteira.

A ação será realizada pelo Amigos do Forró, coletivo de artistas que se reúne voluntariamente para levar música a hospitais, escolas, praças públicas e outros espaços, sem finalidade lucrativa, segundo os próprios integrantes.

A cantora Rebbecah Sousa estará entre os artistas participantes.

Mais do que divulgar uma apresentação, a iniciativa chama atenção para uma dimensão da solidariedade que nem sempre recebe a mesma visibilidade das campanhas financeiras: a doação do próprio tempo.

“Doar nosso tempo é uma linda forma de amor”

Para Rebbecah Sousa, participar da ação também significa perceber que ajudar uma instituição como o Martagão pode ir além de uma contribuição financeira.

“Muitas vezes a gente pensa em ajudar financeiramente porque, na correria do dia a dia, não temos tempo. Só que, além das necessidades financeiras para manter os tratamentos, muitas crianças precisam de atenção e entretenimento para se distraírem em meio a essa rotina difícil e se sentirem acolhidas.”

A cantora destaca especialmente o valor da presença:

“Doar seu tempo é uma linda forma de amor, porque o tempo é o que temos de mais precioso. Quando a gente doa nosso tempo e nossa energia para alimentar a esperança das crianças, sentimos uma realização pessoal. É um sentimento inexplicável, que dá mais sentido à nossa própria existência.”

O depoimento traduz uma característica importante do trabalho voluntário: nem toda contribuição precisa chegar em dinheiro.

Ela pode chegar como música.

Pode chegar como brincadeira.

Pode chegar como conversa.

Ou simplesmente como algumas horas dedicadas a alguém que atravessa um momento difícil.

Uma instituição que também precisa de ajuda para continuar cuidando

Isso não diminui, naturalmente, a importância das contribuições financeiras.

O Martagão Gesteira é uma instituição filantrópica e presta atendimento majoritariamente pelo SUS. Por isso, mantém diferentes campanhas e formas de doação para ajudar a financiar suas atividades. O próprio hospital disponibiliza canais para contribuições de pessoas físicas e empresas.

É justamente a soma dessas diferentes formas de participação que cria uma rede em torno das crianças: profissionais que cuidam, famílias que acompanham, pessoas que doam recursos e voluntários que oferecem parte de seu tempo.

Nesta quinta-feira, uma pequena parte dessa rede chegará carregando instrumentos musicais.

Por alguns minutos, em meio à rotina de consultas, procedimentos e tratamentos, haverá também espaço para outros sons: da sanfona, da música e da esperança.

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