Há formas de ajudar que cabem em uma transferência bancária. Outras exigem algo que não pode ser recuperado: tempo.
No Hospital Martagão Gesteira, em Salvador, essas duas formas de solidariedade se encontram diariamente. De um lado, estão as contribuições fundamentais para ajudar a sustentar uma instituição filantrópica que realiza cerca de 230 mil atendimentos gratuitos por ano, possui 189 leitos e atende crianças e adolescentes em 27 especialidades médicas. Do outro, existe uma rede de pessoas que oferece presença, música, brincadeiras, cultura e acolhimento.
Mantido pela Liga Álvaro Bahia Contra a Mortalidade Infantil, o Martagão completou 60 anos em 2025 e tornou-se uma das principais referências do estado no atendimento pediátrico de alta complexidade pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Entre as áreas atendidas estão oncologia, cardiologia, neurologia, ortopedia, nefrologia e diversas especialidades cirúrgicas.
Na oncologia pediátrica, os números ajudam a dimensionar essa importância. Segundo informações divulgadas pela própria instituição referentes a 2025, o hospital responde por 48% dos tratamentos oncológicos pediátricos realizados pelo SUS na Bahia.
Mas quem passa dias, semanas ou meses acompanhando uma criança em tratamento sabe que o cuidado não termina quando acaba uma consulta ou um procedimento médico.
Quando cuidar também significa acolher
A própria estrutura do Martagão incorpora iniciativas de humanização. O hospital possui um Grupo de Trabalho de Humanização e desenvolve ou recebe atividades destinadas a tornar o ambiente hospitalar mais acolhedor para pacientes e familiares.
Um exemplo é o Coral Vozes da Vida, formado por pacientes e ex-pacientes da oncologia pediátrica. Em visita ao Martagão, em março de 2026, a ministra da Cultura, Margareth Menezes, conheceu o projeto e destacou o papel das atividades culturais no bem-estar das crianças durante o processo de recuperação.
É nesse universo que música, arte e ações voluntárias ganham um significado diferente.
Uma canção não substitui medicamento. Uma apresentação não substitui médico, enfermeiro ou tratamento. Mas pode proporcionar alguns minutos nos quais uma criança deixa de ser apenas paciente para voltar a ser simplesmente criança.
E isso também é acolhimento.
O forró entrando no hospital
Nesta quinta-feira, 1º de outubro, uma dessas iniciativas levará o som da sanfona e do forró ao Martagão Gesteira.
A ação será realizada pelo Amigos do Forró, coletivo de artistas que se reúne voluntariamente para levar música a hospitais, escolas, praças públicas e outros espaços, sem finalidade lucrativa, segundo os próprios integrantes.
A cantora Rebbecah Sousa estará entre os artistas participantes.
Mais do que divulgar uma apresentação, a iniciativa chama atenção para uma dimensão da solidariedade que nem sempre recebe a mesma visibilidade das campanhas financeiras: a doação do próprio tempo.
“Doar nosso tempo é uma linda forma de amor”
Para Rebbecah Sousa, participar da ação também significa perceber que ajudar uma instituição como o Martagão pode ir além de uma contribuição financeira.





