As eleições de 2026 produziram uma mudança importante no equilíbrio de forças em Brasília.
O PL elegeu 121 dos 513 deputados federais, tornando-se, com folga, a maior bancada da Câmara a partir de fevereiro de 2027. A federação formada por PT, PCdoB e PV terá 88 parlamentares. União Brasil e PP, juntos na federação União Progressista, somaram 87.
Ao mesmo tempo, partidos tradicionalmente associados ao chamado Centrão perderam cadeiras.
A questão é: isso significa que o Centrão perdeu poder?
A resposta exige separar tamanho da bancada de capacidade de decidir votações.
Os números mostram o encolhimento
Considerando União Brasil, PP, PSD, MDB e Republicanos, esse conjunto possuía 226 deputados na composição anterior e elegeu 207 para a próxima legislatura.
São 19 cadeiras a menos.
A maior perda ocorreu no bloco União Brasil/PP: as duas legendas passaram de 98 deputados na composição anterior para 87 eleitos. O PSD caiu de 48 para 43; o MDB, de 38 para 36; e o Republicanos, de 42 para 41.
Enquanto isso, o PL fez o movimento inverso.
Saiu de 98 deputados na composição da Câmara às vésperas da eleição para 121 cadeiras, um ganho de 23.
A Câmara também ficou menos fragmentada
Há outra transformação importante.
A Câmara eleita terá representação de 15 partidos ou federações. Em 2018, eram 30; em 2022, 23 siglas chegaram à Casa antes das posteriores reorganizações partidárias.
Ou seja: o poder está sendo concentrado em um número menor de forças políticas.
Levantamento publicado pela Folha classifica a nova Câmara em aproximadamente 59% de deputados de direita, 24% de esquerda e 17% de centro.
Isso não significa, entretanto, que todos os parlamentares classificados no mesmo campo político votarão juntos.
121 deputados são muitos. Mas estão longe de 257
Esse talvez seja o número mais importante para compreender o próximo governo.
Para aprovar um projeto de lei ordinária em uma votação com todos os deputados presentes, são necessários 257 votos.
Para uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC), são necessários pelo menos 308 votos, em dois turnos.
Portanto, nem mesmo uma bancada de 121 deputados consegue governar sozinha.
Se Flávio Bolsonaro vencer o segundo turno, terá no PL a maior bancada da Câmara, mas ainda precisará construir alianças para alcançar maioria.
Se Lula for reeleito, também precisará negociar além da federação PT-PCdoB-PV e dos demais partidos de esquerda.
Em qualquer dos cenários, União Brasil, PP, PSD, Republicanos e MDB continuam dispondo de votos suficientes para exercer papel relevante na formação dessas maiorias.
Então o Centrão perdeu poder?
Numericamente, sim: perdeu cadeiras. Politicamente, a resposta é mais complexa.
O grupo pode ter ficado menor, mas continua situado numa posição estratégica entre os principais polos.
Isso significa que, em diversas votações, esses partidos poderão continuar fornecendo justamente os votos necessários para transformar uma bancada grande em maioria.
É o conhecido papel de pivô.





