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CENTRÃO

O Centrão encolheu? Eleição redesenha o poder em Brasília e muda a relação do próximo presidente com o Congresso

Partidos tradicionalmente associados ao centro e ao Centrão perderam espaço para o avanço do PL, enquanto a Câmara ficou menos fragmentada. Mesmo menor, esse grupo continuará sendo fundamental para formar maiorias a partir de 2027.

João Branko | Redação HOJE BAHIA
Publicada em 06 de outubro de 2026 às 12:43 • Salvador - BA
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🏛️ O Congresso que emerge das urnas de 2026 terá uma nova correlação de forças. O PL ampliou sua bancada, partidos tradicionalmente associados ao Centrão perderam cadeiras e a Câmara ficou menos fragmentada. Mas uma coisa permanece: nenhum presidente governa sozinho. A formação de maiorias e a negociação entre diferentes forças políticas continuarão no centro do poder em Brasília.
🏛️ O Congresso que emerge das urnas de 2026 terá uma nova correlação de forças. O PL ampliou sua bancada, partidos tradicionalmente associados ao Centrão perderam cadeiras e a Câmara ficou menos fragmentada. Mas uma coisa permanece: nenhum presidente governa sozinho. A formação de maiorias e a negociação entre diferentes forças políticas continuarão no centro do poder em Brasília. — Arte/Hoje Bahia.

As eleições de 2026 produziram uma mudança importante no equilíbrio de forças em Brasília.

O PL elegeu 121 dos 513 deputados federais, tornando-se, com folga, a maior bancada da Câmara a partir de fevereiro de 2027. A federação formada por PT, PCdoB e PV terá 88 parlamentares. União Brasil e PP, juntos na federação União Progressista, somaram 87.

Ao mesmo tempo, partidos tradicionalmente associados ao chamado Centrão perderam cadeiras.

A questão é: isso significa que o Centrão perdeu poder?

A resposta exige separar tamanho da bancada de capacidade de decidir votações.

Os números mostram o encolhimento

Considerando União Brasil, PP, PSD, MDB e Republicanos, esse conjunto possuía 226 deputados na composição anterior e elegeu 207 para a próxima legislatura.

São 19 cadeiras a menos.

A maior perda ocorreu no bloco União Brasil/PP: as duas legendas passaram de 98 deputados na composição anterior para 87 eleitos. O PSD caiu de 48 para 43; o MDB, de 38 para 36; e o Republicanos, de 42 para 41.

Enquanto isso, o PL fez o movimento inverso.

Saiu de 98 deputados na composição da Câmara às vésperas da eleição para 121 cadeiras, um ganho de 23.

A Câmara também ficou menos fragmentada

Há outra transformação importante.

A Câmara eleita terá representação de 15 partidos ou federações. Em 2018, eram 30; em 2022, 23 siglas chegaram à Casa antes das posteriores reorganizações partidárias.

Ou seja: o poder está sendo concentrado em um número menor de forças políticas.

Levantamento publicado pela Folha classifica a nova Câmara em aproximadamente 59% de deputados de direita, 24% de esquerda e 17% de centro.

Isso não significa, entretanto, que todos os parlamentares classificados no mesmo campo político votarão juntos.

121 deputados são muitos. Mas estão longe de 257

Esse talvez seja o número mais importante para compreender o próximo governo.

Para aprovar um projeto de lei ordinária em uma votação com todos os deputados presentes, são necessários 257 votos.

Para uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC), são necessários pelo menos 308 votos, em dois turnos.

Portanto, nem mesmo uma bancada de 121 deputados consegue governar sozinha.

Se Flávio Bolsonaro vencer o segundo turno, terá no PL a maior bancada da Câmara, mas ainda precisará construir alianças para alcançar maioria.

Se Lula for reeleito, também precisará negociar além da federação PT-PCdoB-PV e dos demais partidos de esquerda.

Em qualquer dos cenários, União Brasil, PP, PSD, Republicanos e MDB continuam dispondo de votos suficientes para exercer papel relevante na formação dessas maiorias.

Então o Centrão perdeu poder?

Numericamente, sim: perdeu cadeiras. Politicamente, a resposta é mais complexa.

O grupo pode ter ficado menor, mas continua situado numa posição estratégica entre os principais polos.

Isso significa que, em diversas votações, esses partidos poderão continuar fornecendo justamente os votos necessários para transformar uma bancada grande em maioria.

É o conhecido papel de pivô.

Um grupo não precisa controlar metade da Câmara para exercer influência. Basta que seus votos sejam necessários para que outro bloco consiga ultrapassar a linha dos 257 ou, especialmente, dos 308 votos.

O PL passa a ocupar um espaço diferente

O crescimento do PL também muda a lógica das negociações.

Com 121 deputados, o partido terá 23,6% de toda a Câmara. É uma concentração partidária incomum para os padrões recentes do Congresso brasileiro.

Isso aumenta seu peso na composição das comissões, na disputa pela presidência da Câmara, na distribuição interna de cargos e na negociação de pautas.

Também altera a relação com o próprio Centrão.

Antes, diferentes partidos médios conseguiam negociar com um Executivo diante de uma Câmara extremamente pulverizada.

Agora existe uma bancada individual muito maior.

E existe outro elemento decisivo: as emendas

A relação entre Executivo e Congresso mudou profundamente nos últimos anos por causa do crescimento das emendas parlamentares.

O Congresso passou a controlar uma parcela muito maior do Orçamento e, consequentemente, aumentou sua autonomia em relação ao Palácio do Planalto.

Segundo levantamento publicado pela Folha, as emendas parlamentares chegaram a aproximadamente R$ 50 bilhões em 2026.

Por isso, ter muitos deputados do mesmo campo ideológico do presidente não significa automaticamente ter uma base disciplinada.

Deputados também respondem aos interesses dos estados, municípios, bancadas temáticas e às próprias estratégias partidárias.

O Senado torna a equação ainda mais importante

A transformação não ocorreu somente na Câmara.

O PL também terá a maior bancada do Senado, com 28 dos 81 senadores a partir de 2027. O PT terá nove; MDB, oito; PP e União Brasil, seis cada; e PSD, cinco.

Isso importa porque Câmara e Senado possuem funções diferentes.

Projetos precisam passar pelas duas Casas, e o Senado ainda decide sobre indicações para tribunais superiores, autoridades econômicas e outras funções de Estado.

Portanto, a negociação do próximo presidente não será apenas para montar uma maioria na Câmara.

Será necessário construir pontes nas duas Casas do Congresso.

Menos Centrão não significa menos negociação

Esse é talvez o principal recado das urnas para quem ocupar o Palácio do Planalto em 2027.

A Câmara ficou menos fragmentada, o PL cresceu fortemente e algumas das legendas tradicionalmente associadas ao Centrão perderam espaço.

Mas o presidencialismo brasileiro continua exigindo coalizões.

O próximo presidente poderá encontrar menos partidos à mesa — porém alguns deles estarão muito maiores e, consequentemente, com maior capacidade de negociação.

O Centrão encolheu.

A necessidade de negociar com o Congresso, não.


Fontes: Câmara dos Deputados, Senado Federal e levantamentos publicados por Folha de S.Paulo e Agência O Globo.

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