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O TRUNFO

O efeito Janones: como o deputado transformou apoio digital em mobilização pela vitória de Lula

Com milhões de seguidores no WhatsApp, tarefas para a militância e transmissões de grande alcance, parlamentar foi um dos protagonistas da reação da campanha no segundo turno

João Branko | Redação HOJE BAHIA
Publicada em 25 de outubro de 2026 às 21:47 • Salvador - BA
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André Janones ganhou protagonismo na mobilização digital pela reeleição de Lula, articulando milhões de apoiadores nas redes sociais e no WhatsApp.
André Janones ganhou protagonismo na mobilização digital pela reeleição de Lula, articulando milhões de apoiadores nas redes sociais e no WhatsApp. — Ilustração conceitual gerada por inteligência artificial / Hoje Bahia.

Uma mensagem no celular podia terminar em um vídeo compartilhado, uma conversa em família ou um incentivo para sair de casa e votar. Foi nessa passagem entre a tela e a ação que André Janones (Rede-MG) construiu seu protagonismo na campanha de reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva.

Depois de uma participação discreta no primeiro turno, o deputado ganhou espaço na reação digital do presidente. À frente do canal “Exército do Lula”, organizou apoiadores, distribuiu tarefas e ajudou a dar ritmo à mobilização na reta final. Reportagens publicadas por UOL e Folha identificam sua atuação como uma das mudanças relevantes da campanha entre as duas votações.

Não há, nas fontes consultadas, uma medição que permita atribuir a Janones uma quantidade de votos ou afirmar que ele, sozinho, decidiu a eleição. Há, porém, evidências concretas de sua contribuição: crescimento da rede de apoiadores, audiência expressiva e coordenação de ações em favor de Lula.

De seguidores a participantes

O “Exército do Lula” alcançou 10 milhões de seguidores no WhatsApp na sexta-feira, 23 de outubro. A marca foi verificada pelo Poder360 por volta das 17h45, dois dias antes da votação decisiva.

A dimensão do canal impressiona, mas seu funcionamento ajuda a explicar a relevância política. Janones oferecia tarefas específicas: produzir memes, recortar momentos de transmissões e distribuir conteúdos. Também estabelecia metas de crescimento e orientava os apoiadores sobre como atuar nas plataformas.

A leitura que emerge dessa estratégia é a de uma campanha que procurou transformar simpatia em participação. O eleitor recebia uma orientação concreta sobre como colaborar, com ações que podiam ser executadas pelo próprio telefone.

Uma audiência que ultrapassou um milhão de aparelhos

Na quinta-feira, 22, a transmissão de Lula com Janones chegou a um pico de 1.183.488 aparelhos conectados simultaneamente, segundo levantamento do Poder360. A contagem se refere a aparelhos, não necessariamente a pessoas diferentes.

A live reuniu artistas e comunicadores, entre eles Marieta Severo, Camila Pitanga, Leandra Leal, Jão, Nath Finanças e Serginho Groisman. A participação desses nomes ampliou as possibilidades de diálogo com públicos distintos. Lula fez um apelo especial aos idosos, enquanto Jão incentivou os jovens a comparecer às urnas.

A transmissão serviu, assim, para apresentar argumentos de campanha e convocar eleitores. A preocupação com a abstenção estava no centro da conversa.

A reação apareceu nos indicadores digitais

A Folha registrou que Lula ultrapassou Flávio Bolsonaro no Índice de Popularidade Digital da Quaest nos dias posteriores ao primeiro turno. A reportagem relacionou a reação à reorganização da mobilização, incluindo a atuação de Janones no WhatsApp.

Esse indicador ajuda a observar a disputa por atenção nas plataformas. Não equivale a intenção de voto e tampouco comprova, isoladamente, o efeito eleitoral de uma ação.

Ainda assim, a mudança oferece um sinal da capacidade de reação da campanha. O apoio digital passou a contar com uma estrutura de convocação, distribuição de conteúdo e participação continuada.

O canal também enfrentou uma disputa judicial

O crescimento ocorreu em meio a decisões sobre o funcionamento do “Exército do Lula”. Segundo a Agência Brasil, o canal foi alvo de suspensões e voltou ao ar na noite de 14 de outubro, depois de ser registrado pela campanha na Justiça Eleitoral, conforme determinação do presidente do TSE, Kassio Nunes Marques. Naquele momento, reunia 4,3 milhões de inscritos.

O episódio mostra que a iniciativa ganhou importância também na organização formal da campanha. Seu funcionamento passou a envolver obrigações eleitorais e decisões do tribunal.

A última tarefa era chegar à urna

Na véspera da votação, Janones manteve uma transmissão de 24 horas. Para o domingo, convocou os apoiadores a comparecer às urnas e incentivar outras pessoas a votar. O Estado de Minas registrou o apelo como a “última missão” dirigida aos integrantes do canal.

O próprio deputado resumiu sua compreensão da estratégia durante a mobilização: “É rede e rua. Só rede não vence eleição.” A declaração foi reproduzida pelo UOL.

Essa frase ajuda a dimensionar sua contribuição. Janones atuou para aproximar comunicação e participação: dar uma tarefa a quem queria ajudar, manter apoiadores mobilizados e levar o chamado ao voto para dentro das conversas cotidianas.

Na história da quarta vitória presidencial de Lula, sua atuação merece um lugar de destaque. O tamanho exato de sua influência nas urnas ainda exige estudo; o protagonismo na mobilização digital já está documentado.

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