Uma turnê que reuniria dois grandes nomes da música brasileira nos Estados Unidos terminou, às vésperas dos shows, em cancelamento, acusações públicas e versões conflitantes.
A Schuina Productions, produtora responsável pelos eventos, acusa o cantor baiano Pablo e sua equipe de não cumprirem o acordo para duas apresentações da “USA Tour 2026”, que reuniria o artista de arrocha e o sertanejo Eduardo Costa.
Os shows estavam anunciados para esta sexta-feira, 2 de outubro, em Boston, Massachusetts, e sábado, 3 de outubro, em Newark, Nova Jersey.
A existência dos eventos pode ser confirmada independentemente da disputa entre as partes. O show de Boston permanecia listado na programação do Citizens House of Blues Boston/Ticketmaster, enquanto plataformas de venda anunciavam Pablo e Eduardo Costa nas duas cidades e identificavam a Schuina Productions como produtora.
Mas o motivo pelo qual Pablo não fará as apresentações virou alvo de uma disputa pública.
Produtor acusa equipe de Pablo
Em vídeo divulgado nas redes sociais, o empresário Adilson Alves Schuina, responsável pela produtora norte-americana, afirmou que a empresa havia cumprido suas obrigações financeiras e acusa a equipe de Pablo de informar que o cantor simplesmente não embarcaria para os Estados Unidos.
Segundo Schuina, metade do cachê do artista já teria sido paga.
O empresário afirma ainda ter desembolsado mais de US$ 88 mil com a operação relacionada à participação de Pablo na turnê, incluindo procedimentos migratórios e passagens aéreas em classe executiva para o cantor, a esposa dele e o empresário Mário Paim.
Os valores são apresentados pelo produtor e, até o momento, não há documentação financeira disponibilizada publicamente que permita ao Hoje Bahia verificar de maneira independente cada uma dessas despesas.
Schuina afirma possuir documentos relacionados ao processo migratório, petições aprovadas, registros de vistos e informações sobre a retirada dos passaportes.
Produtor diz que recebeu proposta de compensação com show no Brasil
Outro ponto da acusação envolve uma conversa que, segundo Schuina, teria ocorrido com Mário Paim, empresário ligado à carreira de Pablo.
O produtor afirma que teria sido informado de que Pablo não embarcaria e que, posteriormente, recebeu como proposta uma compensação envolvendo uma apresentação do cantor no Brasil.
Essa é, novamente, a versão apresentada por Schuina. O conteúdo integral de eventual contrato ou negociação entre as partes não foi divulgado publicamente até agora.
Equipe de Pablo apresenta versão diferente
A M&P Produções, escritório responsável pela gestão da carreira de Pablo, divulgou uma explicação diferente para o cancelamento.
Segundo a equipe do cantor, profissionais considerados fundamentais para a realização dos shows tiveram os vistos negados durante o processo migratório.
O escritório afirma ainda que os passaportes de outros integrantes da equipe somente ficaram disponíveis na quarta-feira (30), justamente quando a viagem estava prevista.
O embarque estaria programado para as 12h daquele dia.
Diante dessas circunstâncias, segundo a versão da M&P, não teria sido possível deslocar a estrutura necessária aos Estados Unidos a tempo das apresentações.
A produção de Pablo sustenta que o cancelamento decorreu de circunstâncias ligadas exclusivamente ao processo migratório e rejeita a interpretação de que tenha havido uma decisão unilateral do cantor ou de sua equipe.
Pablo e sua produção também lamentaram o cancelamento e agradeceram a compreensão do público.
Vistos se tornam o centro da divergência
É justamente nesse ponto que as duas versões entram em choque.
Enquanto a equipe de Pablo afirma que integrantes essenciais não obtiveram autorização migratória e que outros documentos foram liberados tarde demais, Schuina sustenta possuir documentação que comprovaria a regularidade dos procedimentos realizados para viabilizar a viagem.
Isso, entretanto, não significa necessariamente que as duas afirmações sejam mutuamente excludentes.
Uma equipe artística é composta por diversos profissionais, e a existência de vistos concedidos a determinados integrantes não comprova, por si só, que todos os profissionais considerados necessários para o espetáculo tenham recebido autorização.
Da mesma forma, a afirmação da equipe do cantor de que houve vistos negados precisaria ser confrontada com a documentação migratória dos profissionais envolvidos para uma conclusão independente.





