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MÚSICA

Produtora dos EUA acusa Pablo de descumprir shows e cita prejuízo milionário; equipe do cantor aponta problema com vistos

Apresentações com Eduardo Costa estavam marcadas para esta sexta (2), em Boston, e sábado (3), em Newark; produtora fala em mais de US$ 88 mil já gastos e ameaça ir à Justiça, enquanto escritório do artista afirma que cancelamento ocorreu por entraves migratórios

João Branko | Redação HOJE BAHIA
Publicada em 01 de outubro de 2026 às 08:37 • Salvador - BA
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Pablo teve apresentações nos Estados Unidos canceladas às vésperas dos shows. Produtora americana acusa a equipe do cantor de descumprimento contratual, enquanto a M&P Produções atribui o cancelamento a problemas na obtenção de vistos de integrantes essenciais da equipe.
Pablo teve apresentações nos Estados Unidos canceladas às vésperas dos shows. Produtora americana acusa a equipe do cantor de descumprimento contratual, enquanto a M&P Produções atribui o cancelamento a problemas na obtenção de vistos de integrantes essenciais da equipe. — Imagem ilustrativa / Hoje Bahia – gerada com IA.

Uma turnê que reuniria dois grandes nomes da música brasileira nos Estados Unidos terminou, às vésperas dos shows, em cancelamento, acusações públicas e versões conflitantes.

A Schuina Productions, produtora responsável pelos eventos, acusa o cantor baiano Pablo e sua equipe de não cumprirem o acordo para duas apresentações da “USA Tour 2026”, que reuniria o artista de arrocha e o sertanejo Eduardo Costa.

Os shows estavam anunciados para esta sexta-feira, 2 de outubro, em Boston, Massachusetts, e sábado, 3 de outubro, em Newark, Nova Jersey.

A existência dos eventos pode ser confirmada independentemente da disputa entre as partes. O show de Boston permanecia listado na programação do Citizens House of Blues Boston/Ticketmaster, enquanto plataformas de venda anunciavam Pablo e Eduardo Costa nas duas cidades e identificavam a Schuina Productions como produtora.

Mas o motivo pelo qual Pablo não fará as apresentações virou alvo de uma disputa pública.

Produtor acusa equipe de Pablo

Em vídeo divulgado nas redes sociais, o empresário Adilson Alves Schuina, responsável pela produtora norte-americana, afirmou que a empresa havia cumprido suas obrigações financeiras e acusa a equipe de Pablo de informar que o cantor simplesmente não embarcaria para os Estados Unidos.

Segundo Schuina, metade do cachê do artista já teria sido paga.

O empresário afirma ainda ter desembolsado mais de US$ 88 mil com a operação relacionada à participação de Pablo na turnê, incluindo procedimentos migratórios e passagens aéreas em classe executiva para o cantor, a esposa dele e o empresário Mário Paim.

Os valores são apresentados pelo produtor e, até o momento, não há documentação financeira disponibilizada publicamente que permita ao Hoje Bahia verificar de maneira independente cada uma dessas despesas.

Schuina afirma possuir documentos relacionados ao processo migratório, petições aprovadas, registros de vistos e informações sobre a retirada dos passaportes.

Produtor diz que recebeu proposta de compensação com show no Brasil

Outro ponto da acusação envolve uma conversa que, segundo Schuina, teria ocorrido com Mário Paim, empresário ligado à carreira de Pablo.

O produtor afirma que teria sido informado de que Pablo não embarcaria e que, posteriormente, recebeu como proposta uma compensação envolvendo uma apresentação do cantor no Brasil.

Essa é, novamente, a versão apresentada por Schuina. O conteúdo integral de eventual contrato ou negociação entre as partes não foi divulgado publicamente até agora.


Equipe de Pablo apresenta versão diferente

A M&P Produções, escritório responsável pela gestão da carreira de Pablo, divulgou uma explicação diferente para o cancelamento.

Segundo a equipe do cantor, profissionais considerados fundamentais para a realização dos shows tiveram os vistos negados durante o processo migratório.

O escritório afirma ainda que os passaportes de outros integrantes da equipe somente ficaram disponíveis na quarta-feira (30), justamente quando a viagem estava prevista.

O embarque estaria programado para as 12h daquele dia.

Diante dessas circunstâncias, segundo a versão da M&P, não teria sido possível deslocar a estrutura necessária aos Estados Unidos a tempo das apresentações.

A produção de Pablo sustenta que o cancelamento decorreu de circunstâncias ligadas exclusivamente ao processo migratório e rejeita a interpretação de que tenha havido uma decisão unilateral do cantor ou de sua equipe.

Pablo e sua produção também lamentaram o cancelamento e agradeceram a compreensão do público.

Vistos se tornam o centro da divergência

É justamente nesse ponto que as duas versões entram em choque.

Enquanto a equipe de Pablo afirma que integrantes essenciais não obtiveram autorização migratória e que outros documentos foram liberados tarde demais, Schuina sustenta possuir documentação que comprovaria a regularidade dos procedimentos realizados para viabilizar a viagem.

Isso, entretanto, não significa necessariamente que as duas afirmações sejam mutuamente excludentes.

Uma equipe artística é composta por diversos profissionais, e a existência de vistos concedidos a determinados integrantes não comprova, por si só, que todos os profissionais considerados necessários para o espetáculo tenham recebido autorização.

Da mesma forma, a afirmação da equipe do cantor de que houve vistos negados precisaria ser confrontada com a documentação migratória dos profissionais envolvidos para uma conclusão independente.

Até agora, essa documentação completa não está disponível publicamente.

Evento de Boston tinha ingressos de até US$ 200

A comercialização do espetáculo também confirma que a operação já estava em estágio avançado.

Em Boston, o evento estava anunciado para o Citizens House of Blues Boston, na Lansdowne Street, com abertura das portas às 19h e show previsto para as 20h.

Os ingressos anunciados chegavam a US$ 200 para a área próxima ao palco, enquanto outro setor, com entradas de US$ 150, já aparecia como esgotado na plataforma de venda consultada.

O próprio Ticketmaster ainda apresentava o evento “Eduardo Costa & Pablo” em sua programação para 2 de outubro.

Em Newark, a apresentação estava marcada para o Robert Treat Hotel, com ingressos anunciados em diferentes setores e valores que chegavam a US$ 200. A página também identificava a Schuina Productions como responsável pela produção.

Produtor promete reembolso ao público

Com Pablo fora das apresentações, uma das preocupações imediatas é a situação de quem comprou ingresso.

Schuina afirmou publicamente que os consumidores deverão receber o dinheiro de volta e pediu um prazo de aproximadamente uma semana para iniciar o processo de reembolso relacionado ao cancelamento.

A situação merece acompanhamento, principalmente porque páginas de venda consultadas ainda exibiam os eventos anunciados com Pablo e Eduardo Costa.

Produtora fala em prejuízo próximo de meio milhão de dólares

Schuina também afirma que o impacto total decorrente do cancelamento pode chegar a quase US$ 500 mil.

Considerando apenas uma conversão aproximada, trata-se de um prejuízo potencial de vários milhões de reais.

É importante ressaltar, porém, que esse montante representa uma estimativa apresentada pelo próprio produtor e não um prejuízo comprovado por decisão judicial, perícia ou documentação financeira tornada pública.

Empresário diz que recorrerá à Justiça americana

O conflito pode sair das redes sociais e chegar aos tribunais.

Schuina afirma que pretende processar os envolvidos nos Estados Unidos e que apresentará à Justiça americana a documentação que diz possuir sobre a contratação e os gastos realizados para os shows.

Ele também acusou Mário Paim de tê-lo ameaçado durante uma conversa telefônica.

Até o momento, não há comprovação pública dessa alegada ameaça. Por isso, ela deve ser tratada como acusação feita pelo produtor, e não como fato estabelecido.

Afinal, houve “calote”?

Com as informações disponíveis até agora, não é possível afirmar que houve calote.

Essa é a acusação feita pela Schuina Productions.

Há fatos que podem ser confirmados: os shows estavam anunciados e comercializados; Pablo fazia parte da programação; a produtora estava identificada na venda dos eventos; e as apresentações não serão realizadas pelo cantor nas datas previstas.

O motivo do rompimento, contudo, permanece em disputa.

De um lado, o produtor afirma ter pago parte do cachê e realizado gastos significativos para viabilizar a turnê, além de sustentar que a equipe decidiu não embarcar.

Do outro, a gestão de Pablo afirma que houve impedimentos migratórios envolvendo integrantes essenciais da equipe, situação que teria inviabilizado a realização dos espetáculos.


Se a disputa efetivamente chegar à Justiça, contratos, comprovantes de pagamento, condições estabelecidas para vistos, obrigações das partes e comunicações entre produtora e representantes do artista deverão ser elementos importantes para esclarecer responsabilidades.

Enquanto isso, o episódio transforma dois shows que deveriam marcar a passagem de Pablo e Eduardo Costa pelos Estados Unidos em uma controvérsia empresarial que agora repercute também no Brasil.

O Hoje Bahia seguirá acompanhando o caso e atualizará esta reportagem caso sejam apresentados documentos, novas manifestações das partes ou eventual ação judicial.

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