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ELEIÇÕES 2026

Renan Santos diz que fará “chacina” contra integrantes de facções em bairros de Salvador se eleito

Candidato do Missão endossou declaração de dirigente estadual do partido e afirmou que eventual ação teria como alvo membros de organizações criminosas; falas provocaram reação de entidades e representantes políticos na Bahia

João Branko | Redação HOJE BAHIA
Publicada em 28 de setembro de 2026 às 21:08 • Salvador - BA
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Renan Santos, candidato à Presidência pelo Missão, afirmou que, se eleito, fará uma “chacina” contra integrantes de facções criminosas em bairros de Salvador. A declaração provocou repercussão e reação de entidades na Bahia.
Renan Santos, candidato à Presidência pelo Missão, afirmou que, se eleito, fará uma “chacina” contra integrantes de facções criminosas em bairros de Salvador. A declaração provocou repercussão e reação de entidades na Bahia. — Arte/Hoje Bahia — imagem produzida com auxílio de inteligência artificial; foto de Renan Santos utilizada como referência.

O candidato à Presidência da República Renan Santos (Missão) afirmou nesta segunda-feira (28) que, caso seja eleito, pretende realizar uma “chacina” contra integrantes de facções criminosas em bairros de Salvador.

A declaração foi feita após a repercussão de um discurso do presidente do Missão na Bahia, Davi Pirajá, durante ato de campanha realizado no domingo (27), na capital baiana. Pirajá havia citado especificamente o Bairro da Paz e a localidade conhecida como Planeta dos Macacos, em São Cristóvão.

Nesta segunda, diante das críticas e dos pedidos de retratação, Renan publicou um vídeo ao lado de Pirajá e da candidata Quécia Reis e assumiu pessoalmente a posição.

“Nós faremos uma chacina nesses bairros contra os membros das facções criminosas”, afirmou Renan.

Na sequência, o candidato acrescentou: “Vamos passar a rapa neles”.

Declaração começou durante ato em Salvador

A controvérsia começou no domingo, durante uma atividade de campanha de Renan Santos em frente à Reitoria da Universidade Federal da Bahia (UFBA), no Canela.

Durante discurso, Davi Pirajá defendeu “chacina” no Bairro da Paz e no Planeta dos Macacos e empregou também a expressão “banho de sangue”, associando a declaração ao enfrentamento de integrantes do Comando Vermelho.

Procurado posteriormente pela imprensa, Pirajá afirmou que sua declaração se referia a traficantes, e não aos moradores das comunidades.

Renan rejeita retratação e assume discurso

A repercussão poderia ter levado o candidato presidencial a se distanciar da declaração do dirigente estadual. Renan Santos, no entanto, seguiu no sentido contrário.

Ao responder aos pedidos de retratação, afirmou que, se vencer a eleição, ele próprio assumirá a responsabilidade pela política de segurança defendida.

O candidato explicou que sua declaração se refere aos integrantes de organizações criminosas. Segundo Renan, aqueles que se entregarem à polícia deverão ser presos, julgados e cumprir longas penas. Já em situações de confronto armado, defendeu resposta letal por parte das forças policiais.

Portanto, há uma diferença relevante entre as duas manifestações: Pirajá inicialmente falou em “chacina” nas comunidades e “banho de sangue”; Renan posteriormente utilizou também o termo “chacina”, mas delimitou explicitamente sua declaração aos integrantes de facções criminosas.

Discurso faz parte de proposta mais dura para segurança

As declarações em Salvador não representam a primeira vez em que Renan Santos defende uma política de segurança baseada em maior uso da força policial.

Em agosto, durante entrevista à GloboNews, o candidato afirmou que sua orientação no enfrentamento à criminalidade seria “prender ou matar”, defendendo respaldo estatal ao uso da força letal em determinadas circunstâncias.

Em outra entrevista, Renan citou como referência medidas adotadas em El Salvador pelo presidente Nayib Bukele e defendeu a utilização de instrumentos como estado de defesa em áreas controladas pelo crime organizado.

Durante sua passagem por Salvador neste fim de semana, o candidato também defendeu a possibilidade de intervenção federal em estados que, na avaliação de um eventual governo seu, não colaborassem no enfrentamento às organizações criminosas.

Comunidades reagem

As declarações provocaram reação de organizações do Bairro da Paz.

O Fórum de Entidades do Bairro da Paz divulgou nota de repúdio e afirmou que a comunidade não pode ser tratada como território descartável nem transformada em alvo de discursos de extermínio.

A entidade destacou ainda a história de quase 45 anos da comunidade e rejeitou a associação generalizada entre os moradores e organizações criminosas.

O Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado da Bahia (Sinjorba) também divulgou nota de repúdio às declarações de Davi Pirajá. A entidade afirmou que comunidades periféricas não podem ser transformadas em alvos de discursos que defendam chacinas.

As declarações também receberam críticas de representantes políticos, entre elas a vereadora Marta Rodrigues (PT) e a deputada federal Lídice da Mata (PSB), que defenderam apuração e manifestação das autoridades competentes. Renan, por sua vez, sustenta que sua proposta tem como alvo integrantes de facções criminosas, e não a população das comunidades.

Segurança pública entra no centro da campanha

O episódio coloca novamente o debate sobre segurança pública no centro da campanha presidencial, desta vez com Salvador diretamente envolvida.

De um lado, Renan Santos apresenta sua proposta como uma estratégia de enfrentamento direto às facções e argumenta que moradores de comunidades vivem submetidos a ameaças, cobranças ilegais e regras impostas pelo crime organizado.

De outro, entidades comunitárias e representantes da sociedade civil contestam o emprego de expressões como “chacina” e “banho de sangue”, alertando para o risco de associar territórios periféricos e seus moradores à criminalidade.

O ponto factual central da controvérsia, porém, ficou explícito nesta segunda-feira: depois de a expressão “chacina” ter sido utilizada pelo dirigente estadual de seu partido, Renan Santos não se retratou e passou a empregar ele próprio o termo, especificando que se referia a integrantes de facções criminosas.

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