Salvador tem restaurantes que impressionam pela sofisticação, pela vista para a Baía de Todos-os-Santos ou pelas releituras contemporâneas da cozinha baiana. Mas existe outra experiência gastronômica igualmente fascinante: comer onde o próprio restaurante faz parte da história do bairro e da cidade.
Depois do guia publicado pelo Hoje Bahia sobre onde comer bem em Salvador, fomos atrás de outra Salvador à mesa: aquela dos estabelecimentos que sobrevivem ao tempo, dos pratos que ganharam fama entre moradores e dos endereços que muitas vezes estão longe dos roteiros gastronômicos convencionais. A proposta agora não é estabelecer quais são os “melhores”, mas descobrir lugares com personalidade, memória e comida capaz de justificar o passeio.
E o percurso leva do Subúrbio ao Centro.
Uma descoberta em São Tomé de Paripe
Um dos endereços que motivaram este novo roteiro é o Bar e Restaurante Bela Vista São Tomé.
Na Rua África do Sul, em São Tomé, o estabelecimento leva o visitante para uma região da cidade ainda pouco presente nos roteiros gastronômicos tradicionais.
É também uma oportunidade para fazer algo que Salvador nem sempre oferece ao próprio soteropolitano: transformar o almoço em motivo para redescobrir o Subúrbio Ferroviário.
A casa aparece atualmente em funcionamento de segunda e de quarta a domingo, das 11h às 19h; como horários podem mudar, vale confirmar antes da visita.
Mais do que recomendar um prato específico sem experimentar a cozinha, o Bela Vista entra nesta seleção pelo conjunto: localização, ambiente e a possibilidade de conhecer outra geografia gastronômica de Salvador.
Plataforma: comida e paisagem no mesmo passeio
Ainda no Subúrbio, Restaurante Boca de Galinha, em Plataforma, é outro endereço que ajuda a explicar por que essa região merece um roteiro próprio.
A casa é especializada em frutos do mar e está na Rua Almeida Brandão. A localização permite associar gastronomia à paisagem e à identidade marítima do Subúrbio.
É justamente essa combinação que diferencia esses restaurantes de uma simples parada para almoço: o bairro também faz parte da experiência.
E há mais descobertas na região. Em São João do Cabrito, o Cheiro De Maré é outro endereço ativo ligado a essa gastronomia de bairro.
No Alto da Terezinha, o Pirão Do Renato reforça a presença dos frutos do mar e da culinária popular no mapa gastronômico suburbano.
São lugares que ajudam a deslocar a pergunta de “onde comer em Salvador?” para outra, muito mais interessante:
em quantas Salvadors diferentes é possível comer?
São Caetano tem Mocostela e Rabató
O nome já desperta curiosidade: Mocostela.
No Recanto Do Moura, em São Caetano, o prato combina mocotó fresco com costelas bovina e suína.
E não para aí.
A casa também é conhecida pelo Rabató, combinação de rabada com mocotó, além do pirão de aipim. O Visit Salvador incluiu o estabelecimento em roteiro dedicado à chamada “culinária raiz” da capital baiana.
É uma cozinha que não precisa buscar exotismo fora da Bahia para surpreender. A criatividade está justamente em trabalhar sabores populares, receitas robustas e combinações nascidas dessa tradição.
O Recanto do Moura fica na Rua Rezende de Jesus, em São Caetano.
No Comércio, um filé cercado de mistério desde 1955
Se alguns lugares desta lista representam descoberta, Juarez Restaurante representa memória.
É o endereço do famoso Filé do Juarez.
A história remonta a 1955. Segundo o Visit Salvador, o restaurante surgiu depois que o pai do atual proprietário veio do interior da Bahia acompanhado de um cozinheiro chamado Juarez — personagem que acabaria dando nome à casa.
Mas foi o filé que virou lenda.
A carne ficou conhecida pela característica incomum: muito escura por fora e avermelhada por dentro.





