O Senado Federal aprovou, nesta quinta-feira (15), uma das mais importantes mudanças nas regras do Microempreendedor Individual (MEI) dos últimos anos. Por 78 votos favoráveis e nenhum contrário, os senadores deram aval ao Projeto de Lei Complementar (PLP) 186/2026, que aumenta progressivamente o teto anual de faturamento para R$ 140 mil, amplia a possibilidade de contratação de empregados no meio rural e estabelece condições para o perdão de dívidas tributárias de milhões de trabalhadores formalizados.
A proposta, apresentada pelo governo federal e aprovada pela Câmara dos Deputados na quarta-feira (14), por 461 votos a quatro, concluiu sua tramitação no Congresso Nacional e segue para sanção do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
As medidas integram o pacote Prospera MEI, anunciado pelo governo com o objetivo de enfrentar o endividamento, ampliar a capacidade de investimento e estimular a formalização de pequenos negócios.
O público potencial ultrapassa 17 milhões de microempreendedores individuais em todo o país, segundo informações apresentadas durante a discussão do projeto.
Novo teto de faturamento chegará a R$ 140 mil em 2028
Atualmente, um microempreendedor individual pode faturar até R$ 81 mil por ano, equivalente à média de R$ 6.750 mensais. O valor permaneceu sem reajuste por anos, apesar da inflação acumulada e das transformações da economia brasileira.
Com o projeto aprovado, o aumento será gradual. Em 2027, o limite anual passará para R$ 110 mil e, em 2028, chegará a R$ 140 mil, caso o texto seja sancionado.
O novo teto representará um aumento de aproximadamente 73% em relação ao limite atual.
A atualização atende a uma reivindicação antiga de microempreendedores que enfrentam dificuldades para expandir suas atividades sem ultrapassar o limite permitido pelo regime tributário simplificado.
Na prática, profissionais que trabalham por conta própria, pequenos comerciantes e prestadores de serviços poderão ampliar seu faturamento sem a necessidade imediata de migrar para outra categoria empresarial, desde que cumpram os demais requisitos legais.
O crescimento das vendas digitais, a popularização dos serviços por aplicativos e a expansão do comércio eletrônico também contribuíram para tornar o limite atual cada vez mais restritivo.
Perdão de dívidas poderá beneficiar 3,6 milhões de MEIs
Uma das medidas de maior impacto social previstas no projeto é a remissão de débitos federais de responsabilidade dos microempreendedores individuais.
Segundo estimativas do governo federal, aproximadamente 3,6 milhões de MEIs possuem R$ 12,57 bilhões em dívidas inscritas na Dívida Ativa da União.
O projeto prevê o perdão de créditos da União, inscritos ou não em dívida ativa, abrangidos pelas condições estabelecidas na proposta e existentes até 13 de outubro de 2026.
O benefício, entretanto, não será incondicional.
Para solicitar e manter a remissão, o microempreendedor deverá cumprir exigências, como manter em dia as contribuições que vencerem nos seis meses seguintes à entrada em vigor da lei e desistir de eventuais ações judiciais relacionadas aos débitos contemplados.
O descumprimento dessas obrigações poderá resultar no cancelamento do benefício.
É importante destacar que o perdão previsto no projeto não representa uma anistia generalizada de empréstimos bancários, dívidas privadas ou obrigações tributárias estaduais e municipais.
A proposta busca permitir que trabalhadores que acumularam débitos federais recuperem condições de regularidade fiscal e retomem suas atividades econômicas.
Contratação de funcionários também será ampliada
Outra mudança prevista é a ampliação da possibilidade de contratação de empregados por microempreendedores individuais que desenvolvem atividades rurais.
Atualmente, a regra geral do MEI permite a contratação de um empregado. O texto aprovado amplia para até dois trabalhadores a possibilidade de contratação no âmbito das atividades rurais contempladas.
Os funcionários deverão receber salário mínimo ou piso salarial da categoria profissional.
Também será permitida a contratação temporária de substitutos quando empregados se afastarem legalmente, respeitadas as condições estabelecidas na legislação.
A medida pretende oferecer maior capacidade operacional a pequenos empreendimentos rurais, sem obrigá-los a migrar prematuramente para estruturas empresariais mais complexas.
Pequenos negócios terão novas oportunidades nas compras públicas
O projeto também modifica regras relacionadas à participação de micro e pequenas empresas nas contratações realizadas pelo poder público.
O limite para licitações exclusivas destinadas a microempresas e empresas de pequeno porte será ampliado de R$ 80 mil para R$ 100 mil.
A proposta também fortalece os mecanismos de participação de microempreendedores individuais nas compras governamentais, ampliando as oportunidades de prestação de serviços e fornecimento de produtos para órgãos públicos.





