O segundo turno das eleições presidenciais de 2026 é marcado por denúncias de dificuldades no transporte coletivo na Bahia. Desde as primeiras horas deste domingo (25), passageiros de Salvador relatam ônibus insuficientes, pontos superlotados, atrasos prolongados e veículos que teriam deixado de parar para embarcar eleitores.
Também surgiram reclamações e cobranças públicas relacionadas ao transporte em Lauro de Freitas, na Região Metropolitana, e Feira de Santana, no centro-norte do estado.
A dimensão dos problemas, entretanto, não é a mesma nas três cidades. Em Salvador, há registros documentados por diversos veículos de comunicação, além de uma decisão judicial determinando a regularização do serviço. Em Lauro de Freitas e Feira de Santana, as denúncias deste domingo ainda dependem de informações operacionais que comprovem a quantidade de ônibus efetivamente em circulação.
A situação desperta preocupação porque a legislação eleitoral não determina apenas passagem gratuita: exige que o transporte funcione com frequência equivalente à praticada nos dias úteis.
Salvador: reclamações se espalham por diferentes bairros
Os relatos registrados pela imprensa incluem ocorrências no Subúrbio Ferroviário, em bairros como Lobato e Plataforma, e em regiões como Calçada, Mussurunga, São Rafael, Brotas, Itapuã, Cabula, Liberdade, Cajazeiras, Arenoso e São Marcos.
Na Avenida Tancredo Neves, o passageiro Jaime Franco Vital relatou ao jornal A TARDE que aguardava ônibus havia mais de uma hora, sem conseguir embarcar em nenhuma das três linhas que poderia utilizar.
Além da demora, o BNews publicou denúncias de passageiros afirmando que determinados ônibus passavam pelos pontos sem parar. A Rádio Metropole também recebeu grande volume de mensagens, fotografias e áudios de usuários relatando dificuldades.
Esses registros demonstram a existência de reclamações disseminadas por diferentes regiões, mas não permitem, isoladamente, calcular o percentual de redução da frota nem identificar a causa de cada ocorrência.
Justiça determina frota integral e multa de R$ 1 milhão por hora
Diante das denúncias, a Federação Brasil da Esperança, formada por PT, PCdoB e PV, acionou o Tribunal Regional Eleitoral da Bahia (TRE-BA), alegando que a circulação de ônibus estaria reduzida em mais de 50%.
O presidente do tribunal, desembargador Mauricio Kertzman Szporer, determinou neste domingo o restabelecimento imediato da frota integral, com frequência equivalente à dos dias úteis e manutenção da gratuidade.
Segundo a decisão divulgada pela imprensa, o secretário municipal de Mobilidade deverá apresentar comprovação documental do cumprimento da determinação no prazo de uma hora após a notificação.
O descumprimento poderá resultar em multa de R$ 1 milhão por hora para o município e para cada empresa responsável, conforme os termos da ordem judicial.
A decisão também prevê fiscalização pela Polícia Civil, inclusive com uso de drones, e encaminhamento de informações ao Ministério Público Eleitoral e à Polícia Federal para avaliação das providências cabíveis.
É importante distinguir a denúncia da comprovação: a alegada redução de mais de 50% foi apresentada pela federação partidária e ainda necessita de confirmação por dados operacionais.
Prefeitura de Salvador atribui atrasos à retenção de ônibus nas garagens
A Secretaria Municipal de Mobilidade (Semob) confirmou a retenção de aproximadamente 75 ônibus na garagem G5, localizada no Caminho de Areia.
Segundo a Prefeitura de Salvador, o episódio foi provocado por ocorrências envolvendo a colocação irregular de adesivos de propaganda eleitoral nos veículos. A administração municipal informou que a situação foi contornada e que o secretário Pablo Souza determinou a liberação dos ônibus.
Em nota divulgada neste domingo, a Semob afirmou que a operação havia sido normalizada e que notificou as concessionárias para garantir a disponibilidade integral da frota.
O prefeito Bruno Reis também atribuiu os problemas a intercorrências operacionais e mobilizações relacionadas à adesivação dos veículos, rejeitando as acusações de redução deliberada do transporte.
As explicações da prefeitura constituem sua versão oficial dos acontecimentos. A efetiva regularização do serviço e a responsabilidade pelas retenções devem ser verificadas por meio dos registros de circulação e das investigações competentes.
Lauro de Freitas: prefeitura havia anunciado 100% da frota complementar
Em Lauro de Freitas, administrada pela prefeita Débora Régis, a Secretaria Municipal de Mobilidade Urbana anunciou a gratuidade do transporte complementar operado pela cooperativa TRANSLAUF durante o segundo turno.
A medida, publicada no Diário Oficial do Município nº 3.782, previa a circulação de 100% da frota habilitada, com operação correspondente à dos dias úteis.
A prefeitura também assumiu a responsabilidade pela fiscalização do serviço.
Diante das reclamações que circulam neste domingo, será necessário verificar quantos veículos saíram efetivamente para operar, quais linhas foram atendidas e se houve atrasos ou viagens não realizadas.
Há ainda uma distinção importante: a responsabilidade municipal abrange o transporte complementar local, enquanto o serviço metropolitano, que conecta cidades da região, está submetido à regulação estadual por meio da Agerba.
Até esta apuração, não foi localizado balanço independente que confirme uma redução generalizada da frota municipal de Lauro de Freitas neste segundo turno.
Feira de Santana: problemas no primeiro turno já haviam motivado intervenção da DPU
Em Feira de Santana, administrada pelo prefeito José Ronaldo, a responsabilidade pelo transporte coletivo municipal está vinculada à Secretaria Municipal de Mobilidade Urbana (Semob).
O município já estava sob acompanhamento da Defensoria Pública da União (DPU) após denúncias relativas ao primeiro turno, em 4 de outubro.
A instituição identificou, em registros operacionais apresentados pela própria prefeitura, intervalos de três a quatro horas em determinadas linhas que atendem distritos.
Após recomendação da DPU, a prefeitura informou que manteria o transporte gratuito com frequência equivalente à dos dias úteis, fiscalização presencial das concessionárias e atendimento pelo número 156.
A administração municipal também se comprometeu a encaminhar até 6 de novembro um relatório técnico contendo a frota colocada em circulação, viagens realizadas, número de passageiros transportados e ocorrências registradas.
As informações do primeiro turno não comprovam que os mesmos problemas se repetiram neste domingo. Para isso, será necessário confrontar as denúncias atuais com os registros da operação.
De quem é a responsabilidade pelo transporte?
A obrigação é compartilhada entre diferentes esferas de governo, conforme o tipo de serviço.
Prefeituras: devem planejar, organizar e fiscalizar o transporte público municipal, assegurando a gratuidade e a frequência legalmente exigida no dia da votação.





