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Falta de ônibus prejudica eleitores em Salvador no segundo turno; Semob confirma retenção de veículos após episódio com adesivos eleitorais

Passageiros denunciam longas esperas, superlotação e dificuldades para chegar aos locais de votação. Prefeitura havia prometido 100% da frota dos dias úteis e afirma que circulação está sendo normalizada

João Branko | Redação HOJE BAHIA
Publicada em 25 de outubro de 2026 às 11:31 • Salvador - BA
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Passageiros aguardam ônibus em Salvador, em imagem ilustrativa dos transtornos no transporte público registrados neste domingo (25), durante o segundo turno das eleições de 2026.
Passageiros aguardam ônibus em Salvador, em imagem ilustrativa dos transtornos no transporte público registrados neste domingo (25), durante o segundo turno das eleições de 2026. — Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial / Hoje Bahia.

A manhã deste domingo (25), dia do segundo turno das eleições presidenciais de 2026, começou com transtornos para usuários do transporte público de Salvador. Moradores de diferentes regiões da capital baiana relataram demora na passagem dos ônibus, pontos lotados e dificuldades para chegar aos locais de votação, justamente em um dia no qual a oferta gratuita de transporte deve facilitar o exercício do direito ao voto.

Segundo informações divulgadas pela Rádio Metropole, passageiros de bairros como Itapuã, Estela, Mares, Cabula, Liberdade, Arenoso, Cajazeiras, São Marcos e Santa Cruz, além da Avenida Carlos Gomes, denunciaram problemas na circulação dos coletivos.

A Secretaria Municipal de Mobilidade (Semob) confirmou uma interrupção na saída de ônibus da garagem G5, localizada no Caminho de Areia, relacionada a um episódio envolvendo a colocação de adesivos em veículos. A pasta informou que houve diálogo com representantes sindicais para liberar os coletivos e normalizar o atendimento à população.

Retenção de ônibus e conflito envolvendo adesivos

O secretário municipal de Mobilidade, Pablo Souza, afirmou à Rádio Metropole que a retenção de ônibus poderia estar relacionada a uma ação de representantes sindicais envolvendo adesivos associados a um candidato.

Segundo o secretário, ele conversou com representantes da categoria e determinou que nenhum coletivo permanecesse retido em razão da ocorrência.

Em nota divulgada à imprensa, a Semob reconheceu a interrupção pontual na garagem G5 e informou que a operação estava sendo gradualmente normalizada após negociações.

Entretanto, ainda não foram esclarecidos pontos fundamentais, como a quantidade de veículos retidos, o período exato da interrupção, quem colocou os adesivos e quais linhas foram diretamente afetadas.

Também não há confirmação de que a ocorrência tenha sido uma ação deliberada para dificultar a participação de eleitores. A definição de responsabilidades depende de apuração específica.

Prefeitura havia prometido 100% da frota

Os transtornos contrastam com o planejamento anunciado pela Prefeitura de Salvador para o segundo turno.

A administração municipal havia informado que o sistema de transporte coletivo circularia com 100% da frota normalmente utilizada nos dias úteis, sem a redução habitual aplicada aos domingos.

A medida deveria assegurar maior disponibilidade de veículos e facilitar o deslocamento da população aos locais de votação.

Apesar da previsão, passageiros relataram esperas prolongadas e ônibus superlotados durante a manhã.

A Semob informou que suas equipes e o Centro de Controle Operacional acompanham a circulação e que podem ser adotadas medidas de reforço do atendimento.

Até a conclusão desta apuração, não havia sido divulgado um balanço consolidado que permitisse confirmar se a quantidade de veículos efetivamente em circulação correspondia à frota prometida.

O transporte gratuito é um direito garantido pela Justiça Eleitoral

A gratuidade do transporte público durante as eleições não depende apenas de decisão das prefeituras.

Em 2023, o Supremo Tribunal Federal (STF) estabeleceu a obrigação de oferta gratuita de transporte coletivo urbano nos dias de votação, com frequência compatível com a dos dias úteis.

Para as eleições de 2026, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) regulamentou a medida, determinando que o poder público assegure o deslocamento dos eleitores sem cobrança de passagem.

As normas também estabelecem que a redução indevida do serviço pode configurar crime eleitoral, conforme as circunstâncias e a apuração das autoridades competentes.

Isso não significa que qualquer atraso ou interrupção represente automaticamente um crime eleitoral. É necessário investigar suas causas, a responsabilidade dos envolvidos e os possíveis efeitos sobre o direito ao voto.

O que funciona gratuitamente em Salvador?

A operação especial anunciada para este domingo prevê:

  • Ônibus convencionais: gratuidade das 6h às 20h.
  • BRT Salvador: gratuidade das 6h às 20h.
  • STEC (amarelinhos): gratuidade das 6h às 20h.
  • Elevador Lacerda: funcionamento gratuito das 7h às 21h30.
  • Metrô Salvador–Lauro de Freitas: gratuidade durante todo o domingo, dentro do horário de funcionamento do sistema.
  • Ônibus metropolitanos, ferry-boat e lanchinhas: gratuidade conforme as regras e os horários estabelecidos pelo Governo do Estado.

Nos ônibus convencionais de Salvador, a operação especial não contará com cobradores. O embarque e o desembarque deverão ocorrer pelas portas centrais ou traseiras.

Eleitor prejudicado pode denunciar

O Tribunal Regional Eleitoral da Bahia (TRE-BA) orienta que dificuldades para chegar aos locais de votação por ausência ou insuficiência de transporte público podem ser comunicadas ao Ministério Público Eleitoral e à Defensoria Pública do Estado.

As denúncias podem ser encaminhadas ao endereço eleicoes2026@defensoria.ba.def.br.

É recomendável informar a linha utilizada, o ponto de embarque, o horário da ocorrência e, quando disponíveis, apresentar fotografias ou outros registros.

Episódio exige esclarecimentos

A ocorrência deste domingo levanta questões que precisam ser respondidas pela administração municipal, pelas empresas concessionárias e pelas representações dos trabalhadores.

Quantos ônibus foram efetivamente impedidos de sair da garagem G5? Quem determinou a retenção? Qual era a natureza dos adesivos? Houve prejuízo à programação da frota? Que providências foram tomadas para garantir o transporte dos eleitores?

Essas informações são necessárias para compreender a dimensão do episódio e identificar eventuais responsabilidades.

Independentemente das disputas políticas envolvidas, o transporte público no dia da eleição deve ser oferecido de maneira regular, gratuita e sem discriminação partidária.

O Hoje Bahia seguirá acompanhando os desdobramentos da ocorrência e as informações oficiais sobre a circulação dos ônibus na capital baiana.


Fontes da apuração: Rádio Metropole/Metro1 (25/10/2026); Tribunal Regional Eleitoral da Bahia (23/10/2026); Agência Brasil (22/10/2026); Secretaria de Mobilidade de Salvador e Governo do Estado da Bahia.

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