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Flávio Bolsonaro deixa o Brasil após ordem do STF; governo argentino revela rota e Trump admite conceder asilo

Senador cruzou a fronteira por Foz do Iguaçu, embarcou em avião privado rumo ao Equador e seguiu em direção aos Estados Unidos; descumprimento de medida judicial pode provocar novas decisões do Supremo

João Branko | Redação HOJE BAHIA
Publicada em 28 de outubro de 2026 às 08:06 • Salvador - BA
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Montagem ilustrativa retrata Flávio Bolsonaro, a saída do Brasil e os desdobramentos internacionais envolvendo Argentina e Estados Unidos, após determinação judicial do STF.
Montagem ilustrativa retrata Flávio Bolsonaro, a saída do Brasil e os desdobramentos internacionais envolvendo Argentina e Estados Unidos, após determinação judicial do STF. — Arte ilustrativa gerada por inteligência artificial / Hoje Bahia.

A saída do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) do Brasil ganhou novos contornos nesta quarta-feira (28), após autoridades argentinas confirmarem oficialmente parte do percurso realizado pelo parlamentar e sua família. Derrotado na eleição presidencial de domingo (25), Flávio deixou o território brasileiro depois de receber uma determinação do Supremo Tribunal Federal (STF) para entregar seus passaportes e não sair do país.

O episódio abriu uma crise política e jurídica que envolve o Judiciário brasileiro, o governo dos Estados Unidos e possíveis medidas de cooperação internacional.

A situação ganhou ainda mais repercussão depois que o presidente norte-americano Donald Trump afirmou que aprovaria um eventual pedido de asilo político apresentado pelo senador.

Apesar disso, a disposição anunciada por Trump não significa que o asilo tenha sido formalmente solicitado ou concedido.

Governo argentino confirma parte da rota

A Direção Nacional de Migrações da Argentina informou que Flávio Bolsonaro e familiares ingressaram no território argentino às 22h50 de terça-feira (27), pela Ponte Internacional Tancredo Neves, que liga Foz do Iguaçu, no Paraná, a Puerto Iguazú, na província de Misiones.

Segundo o comunicado oficial, o grupo apresentou documentos de viagem válidos às autoridades argentinas.

Às 23h30, a comitiva embarcou em uma aeronave privada operada pela Baires Fly S.A., com destino declarado a Guayaquil, no Equador.

A documentação divulgada confirma a entrada na Argentina e o voo programado para o Equador. O destino final apontado por aliados e por reportagens internacionais são os Estados Unidos.

O Departamento de Estado norte-americano informou que emitirá vistos para Flávio Bolsonaro e seus familiares, permitindo a entrada deles no país.

Ordem judicial havia sido determinada na segunda-feira

Na segunda-feira (26), o ministro Alexandre de Moraes, do STF, determinou a entrega dos passaportes do senador à Polícia Federal e o proibiu de deixar o território nacional.

A medida foi tomada no contexto de uma investigação que envolve Flávio Bolsonaro e o advogado Willer Tomaz, relacionada a suspeitas de irregularidades financeiras.

A Polícia Federal apontou risco de fuga ao solicitar as medidas cautelares.

Na ocasião, Flávio criticou a decisão judicial, negou intenção de deixar o país e afirmou que entregaria seus documentos.

A saída do Brasil, no dia seguinte, contrariou essas declarações e a determinação de não deixar o território nacional.

Quais investigações envolvem o senador?

Flávio Bolsonaro aparece em investigações conduzidas no Supremo Tribunal Federal.

Uma das apurações examina suspeitas de lavagem de dinheiro e operações financeiras relacionadas ao advogado Willer Tomaz, incluindo negócios envolvendo empresas e o setor de apostas.

Outra investigação aborda suspeitas de irregularidades em operações ligadas ao financiamento do filme Dark Horse, projeto audiovisual sobre Jair Bolsonaro.

As suspeitas são objeto de investigação e não representam, por si, comprovação de crimes.

Flávio Bolsonaro nega irregularidades e contesta as acusações.

Flávio pode ser preso?

O descumprimento de uma medida cautelar pode provocar nova avaliação judicial, inclusive sobre a necessidade de providências mais restritivas.

Uma eventual prisão preventiva, contudo, dependeria de fundamentação jurídica, demonstração dos requisitos previstos na legislação e decisão de autoridade judicial competente.

Até as informações verificadas nesta manhã, não havia confirmação de mandado de prisão expedido contra Flávio Bolsonaro em decorrência da viagem.

Isso significa que há uma diferença jurídica importante entre deixar o país contrariando uma ordem judicial e estar formalmente procurado para cumprimento de prisão.

Deputados federais ligados ao PT pediram ao STF a prisão preventiva do senador e a adoção de medidas que possam resultar em sua inclusão na Difusão Vermelha da Interpol, caso exista ordem de prisão.

O pedido parlamentar não equivale a uma decisão judicial.

Trump pode impedir a atuação da Justiça brasileira?

O presidente Donald Trump declarou que aprovaria um eventual pedido de asilo de Flávio Bolsonaro.

A manifestação representa um sinal político relevante, mas não encerra o debate jurídico.

A concessão de visto permite a entrada ou permanência de estrangeiros segundo as condições estabelecidas pelas autoridades norte-americanas. Já o asilo envolve procedimento jurídico próprio.

Mesmo que o senador obtenha proteção migratória nos Estados Unidos, as investigações em curso no Brasil não são automaticamente encerradas.

Também não existe extradição automática. Um eventual pedido brasileiro precisaria seguir os procedimentos legais aplicáveis e ser examinado pelas autoridades competentes.

Fim do mandato poderá alterar situação processual

O mandato de Flávio Bolsonaro no Senado está previsto para terminar em 31 de janeiro de 2027.

A saída do cargo pode levar à reavaliação da competência judicial em determinados procedimentos. Entretanto, o entendimento do STF sobre foro por prerrogativa de função permite que alguns casos relacionados ao exercício do mandato continuem na Corte mesmo após o encerramento do vínculo parlamentar.

Portanto, o fim do mandato não provoca o arquivamento das investigações nem determina necessariamente a remessa de todos os procedimentos à primeira instância.

Crise atravessa fronteiras

A viagem de Flávio Bolsonaro, realizada logo após uma eleição presidencial e uma decisão judicial que restringia sua saída do Brasil, transforma um caso inicialmente concentrado no STF em uma questão com repercussões internacionais.

Os próximos passos dependerão da avaliação da Polícia Federal, das decisões do Supremo e das providências adotadas pelas autoridades norte-americanas.

O ponto central é que a saída do território brasileiro não significa o encerramento das investigações. Tampouco uma investigação significa condenação.

O Hoje Bahia continuará acompanhando os desdobramentos judiciais, diplomáticos e políticos do caso.

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