O Ministério Público do Estado da Bahia (MP-BA) investiga a suspeita de comercialização irregular de acesso à internet dentro do Presídio de Salvador, localizado no Complexo Penitenciário da Mata Escura, na capital baiana.
Segundo reportagem publicada nesta quinta-feira (29) pelo Bahia Notícias, com base em documento obtido pelo veículo, policiais penais estariam entre os suspeitos de explorar economicamente uma rede privada de Wi-Fi instalada na unidade prisional.
A investigação pretende esclarecer se detentos estavam sendo cobrados para acessar a internet e se servidores públicos ou terceiros participavam da suposta atividade clandestina.
Até o momento, não há conclusão definitiva sobre as responsabilidades individuais.
Investigação começou em abril
De acordo com a documentação descrita pelo Bahia Notícias, o Ministério Público iniciou a apuração em abril de 2026, quando instaurou um procedimento preparatório para verificar possíveis irregularidades relacionadas à rede de internet.
Em 19 de outubro, a investigação foi formalizada como inquérito civil.
O procedimento é conduzido pela promotora de Justiça Nivia de Carvalho Andrade, vinculada à área de Proteção da Moralidade Administrativa e do Patrimônio Público.
A transformação do procedimento em inquérito civil permite o aprofundamento da coleta de informações e a realização de diligências para esclarecer os fatos.
Ministério Público quer identificar operadores e movimentações financeiras
Entre os principais pontos investigados estão a identificação dos responsáveis pela operação da rede e o possível recebimento de pagamentos para liberar o acesso à internet.
O Ministério Público também busca esclarecer a eventual participação de terceiros e de pessoas custodiadas.
A apuração deverá determinar se houve utilização indevida de estruturas ou recursos públicos para obtenção de benefícios particulares.
Caso as suspeitas sejam confirmadas, as condutas poderão gerar consequências administrativas, civis e eventualmente criminais, dependendo das provas e do enquadramento jurídico.
Seap já havia adotado medidas administrativas
A suspeita de comercialização de internet no Presídio de Salvador não surgiu agora.
Em abril, o BNews noticiou a abertura de investigação sobre o caso e informou que a Secretaria de Administração Penitenciária e Ressocialização da Bahia (Seap-BA) havia confirmado medidas administrativas, incluindo intervenção na unidade, afastamento de gestores e instauração de sindicância.
A existência dessas medidas não significa comprovação de participação dos servidores afastados nas irregularidades investigadas.





