As eleições de 2026 produziram uma das maiores mudanças recentes na correlação de forças do Senado Federal. Os brasileiros escolheram neste domingo (4) 54 senadores — dois por estado e pelo Distrito Federal — que ocuparão mandatos de oito anos, de fevereiro de 2027 a janeiro de 2035.
Mas a fotografia do novo Senado não pode considerar apenas os eleitos neste domingo. A Casa possui 81 cadeiras e outros 27 mandatos, escolhidos em 2022, seguem até 2031.
É a soma desses dois grupos que revela a dimensão da mudança política ocorrida nas urnas.
O principal vencedor foi o PL. O partido elegeu 19 dos 54 senadores em disputa e, consideradas as cadeiras remanescentes e as substituições já definidas, a projeção da Agência Senado é de uma bancada de 28 senadores a partir de 2027.
O PT aparece bem atrás, com 9, seguido pelo MDB, com 8. PP e União Brasil devem ter seis cada; PSD e Republicanos, cinco; PSB, quatro; Novo, três; Podemos e PSDB, dois cada; Rede e PDT, um cada. Há ainda uma cadeira atualmente ocupada por senador sem partido.
PP e União fazem parte da Federação União Progressista, mas continuam sendo contabilizados como bancadas separadas no Senado.
QUEM FOI ELEITO EM CADA ESTADO
Confira os 54 senadores escolhidos nas urnas:
ACRE
Marcio Bittar (PL)
Mara Rocha (Republicanos)
ALAGOAS
Arthur Lira (PP)
Marina JHC (PSDB)
AMAPÁ
Rayssa Furlan (Podemos)
Lucas Barreto (PSD)
AMAZONAS
Eduardo Braga (MDB)
Plínio Valério (PSDB)
BAHIA
Rui Costa (PT)
Jaques Wagner (PT)
CEARÁ
Cid Gomes (PSB)
Luizianne Lins (Rede)
DISTRITO FEDERAL
Michelle Bolsonaro (PL)
Bia Kicis (PL)
ESPÍRITO SANTO
Renato Casagrande (PSB)
Evair de Melo (Republicanos)
GOIÁS
Gustavo Gayer (PL)
Gracinha Caiado (União)
MARANHÃO
Fufuca (PP)
Lahesio Bonfim (Novo)
MATO GROSSO
Mauro Mendes (União)
Zé Medeiros (PL)
MATO GROSSO DO SUL
Reinaldo Azambuja (PL)
Capitão Contar (PL)
MINAS GERAIS
Domingos Sávio (PL)
Marília Campos (PT)
PARÁ
Helder Barbalho (MDB)
Chicão (União)
PARAÍBA
João Azevêdo (PSB)
Veneziano Vital do Rêgo (MDB)
PARANÁ
Filipe Barros (PL)
Deltan Dallagnol (Novo)
PERNAMBUCO
Humberto Costa (PT)
Marília Arraes (PDT)
PIAUÍ
Marcelo Castro (MDB)
Júlio César (PSD)
RIO DE JANEIRO
Carlos Portinho (PL)
Carlos Jordy (PL)
RIO GRANDE DO NORTE
Styvenson Valentim (Podemos)
Samanda de Lula (PT)
RIO GRANDE DO SUL
Sanderson (PL)
Marcel Van Hattem (Novo)
RONDÔNIA
Dr. Fernando Máximo (PL)
Bruno Scheid (PL)
RORAIMA
Nicoletti (PL)
Teresa Surita (MDB)
SANTA CATARINA
Carol de Toni (PL)
Carlos Bolsonaro (PL)
SÃO PAULO
Guilherme Derrite (PP)
André do Prado (PL)
SERGIPE
Rogério Carvalho (PT)
Alessandro Vieira (MDB)
TOCANTINS
Eduardo Gomes (PL)
Alexandre Guimarães (MDB)
A lista dos 54 eleitos foi divulgada oficialmente pela Agência Senado.
O OUTRO TERÇO: QUEM TEM MANDATO ATÉ 2031
Para compreender o Senado que funcionará a partir de fevereiro de 2027, é necessário acrescentar às 54 vagas escolhidas agora as 27 cadeiras eleitas em 2022.
São elas:
AC — Alan Rick (Republicanos)
AL — Renan Filho (MDB)
AP — Davi Alcolumbre (União)
AM — Omar Aziz (PSD)
BA — Otto Alencar (PSD)
CE — Camilo Santana (PT)
DF — Damares Alves (Republicanos)
ES — Magno Malta (PL)
GO — Wilder Morais (PL)
MA — Lourdinha Pereira (PSB), atualmente no exercício da cadeira
MT — Wellington Fagundes (PL)
MS — Tereza Cristina (PP)
MG — Cleitinho (Republicanos)
PA — Beto Faro (PT)
PB — Efraim Filho (PL)
PR — Sergio Moro (PL)
PE — Teresa Leitão (PT)
PI — Jussara Lima (PSD), atualmente no exercício da cadeira
RJ — Romário (sem partido)
RN — Rogério Marinho (PL)
RS — Hamilton Mourão (Republicanos)
RO — Jaime Bagattoli (PL)
RR — Dr. Hiran (PP)
SC — Jorge Seif (PL)
SP — Astronauta Marcos Pontes (PL)
SE — Laércio Oliveira (PP)
TO — Professora Dorinha Seabra (União)
A relação corresponde às cadeiras conquistadas em 2022 e com mandato até janeiro de 2031. Algumas delas, entretanto, podem mudar de ocupante por causa das eleições estaduais ou do retorno de titulares atualmente licenciados.
Cleitinho, em Minas Gerais, e Sergio Moro, no Paraná, foram eleitos governadores no primeiro turno. Com isso, suas cadeiras serão ocupadas, respectivamente, por Alex Diniz (PL) e Luís Felipe Cunha (União).
Além deles, Alan Rick (AC), Omar Aziz (AM) e Professora Dorinha (TO) disputam governos estaduais no segundo turno. O resultado de 25 de outubro poderá, portanto, produzir novas mudanças na composição efetiva da Casa.
PL SE TORNA UMA POTÊNCIA NO SENADO
O dado mais expressivo das eleições está no tamanho alcançado pelo PL.
O partido conquistou 19 das 54 vagas disputadas, equivalente a 35,2% das cadeiras renovadas, e deve iniciar 2027 com 28 dos 81 senadores.
É uma concentração partidária incomum no Senado brasileiro.
Segundo a Agência Senado, caso a configuração seja confirmada em fevereiro, será a maior bancada de um único partido no início de uma legislatura desde a Constituição de 1988. O recorde anterior pertencia ao então PMDB, que começou 1999 com 27 senadores.
O PL também conseguiu algo raro: elegeu simultaneamente os dois senadores em cinco unidades da Federação — Distrito Federal, Mato Grosso do Sul, Rio de Janeiro, Rondônia e Santa Catarina.
COMO FICA O ESPECTRO POLÍTICO
Partidos, entretanto, não explicam sozinhos o comportamento parlamentar. MDB, PSD, União, PP, Republicanos e Podemos, por exemplo, possuem senadores com diferentes graus de proximidade com governo e oposição.
Por isso, classificações ideológicas devem ser tratadas como aproximações.
Um levantamento do Poder360, realizado a partir da orientação individual dos parlamentares, classifica a futura composição da seguinte forma:
Direita: 49 senadores
Esquerda: 27 senadores
Centro: 5 senadores
Entre os 54 escolhidos neste domingo, a classificação aponta 33 à direita, 19 à esquerda e dois ao centro. Entre os 27 mandatos remanescentes, seriam 16 à direita, oito à esquerda e três ao centro.
Os números mostram que o deslocamento não ocorreu somente porque o PL cresceu. A direita, considerada de forma mais ampla, passa a reunir maioria absoluta da Casa. A classificação é editorial e não oficial, mas ajuda a dimensionar a mudança na correlação de forças.
O QUE ESSA MAIORIA SIGNIFICA
Os números ganham importância porque o Senado possui competências exclusivas que vão muito além da aprovação de projetos de lei.
Uma maioria absoluta exige 41 votos.
Uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) precisa de 49 votos, equivalentes a três quintos dos integrantes da Casa, em dois turnos.
Já uma eventual condenação em processo de impeachment de ministro do Supremo Tribunal Federal exige 54 votos, ou dois terços dos senadores.
Isso produz uma situação política particularmente relevante: considerando a classificação de 49 parlamentares de direita, esse campo alcançaria numericamente o patamar necessário para aprovar uma PEC caso votasse de maneira integralmente unificada, mas não teria sozinho os 54 votos necessários para uma condenação em processo de impeachment de ministro do STF.
Na prática, porém, identidade ideológica não significa disciplina automática de voto. Senadores de PP, União, MDB, PSD, Republicanos e outras legendas podem assumir posições diferentes dependendo do tema.
CENTRO PERDE ESPAÇO COMO EIXO DOMINANTE
Outra transformação importante ocorre no chamado centro político.
Durante boa parte das últimas legislaturas, MDB, PSD, União e PP funcionaram como grandes polos de negociação capazes de equilibrar as forças entre governos e oposição.
Essa estrutura não desaparece, mas perde peso relativo diante do tamanho do PL.
O exemplo mais significativo é o PSD. O partido tinha 15 senadores no início da atual legislatura, chegou a começar 2026 com 13 e está projetado para apenas cinco cadeiras em 2027.
MDB permanece relevante, com oito senadores, enquanto PP e União Brasil terão seis cada. Como integram a Federação União Progressista, as duas siglas somam 12 cadeiras partidárias pela projeção publicada pela Folha, embora a Rádio Senado trabalhe com 11 na configuração decorrente das substituições — diferença que reforça que o quadro ainda está sujeito a ajustes antes da posse.
PT MANTÉM NÚCLEO, MAS FICA DISTANTE DO PL
O PT terá nove cadeiras na projeção atual.
A Bahia foi especialmente importante para o partido: foi o único estado no qual a legenda conquistou as duas vagas em disputa, com Rui Costa e Jaques Wagner.
Além deles, foram eleitos pelo campo petista Marília Campos, em Minas Gerais; Humberto Costa, em Pernambuco; Samanda de Lula, no Rio Grande do Norte; e Rogério Carvalho, em Sergipe.
Somadas outras forças de esquerda e centro-esquerda, como PSB, Rede e PDT, esse campo continuará relevante, mas numericamente inferior à direita na nova composição.
UM SENADO MAIS FEMININO
As eleições também produziram um recorde de representação feminina.
Foram eleitas 12 mulheres entre as 54 vagas, o maior número em um único pleito desde a redemocratização.
A projeção da Agência Senado é que a bancada feminina alcance 18 das 81 cadeiras em 2027, ou 22,2% da Casa — também um recorde.
RENOVAÇÃO DE 74% DAS VAGAS DISPUTADAS
Outro número mostra o tamanho da mudança.
Dos 32 senadores que tentaram a reeleição, somente 14 conseguiram permanecer.
Isso significa que 40 das 54 cadeiras em disputa terão novos titulares, uma renovação de aproximadamente 74%.
SENADO GANHA PESO NO PRÓXIMO GOVERNO
Independentemente de quem vencer o segundo turno presidencial, a composição escolhida em 2026 tende a aumentar o peso político do Senado.
A Casa analisa indicações para o Supremo Tribunal Federal, Banco Central, agências reguladoras, tribunais superiores, embaixadas e outras instituições. Também decide sobre pedidos de impeachment de ministros do STF e participa da aprovação de reformas constitucionais.
Ao mesmo tempo, o presidente da República continuará precisando construir maiorias específicas. A existência de 49 parlamentares classificados à direita não significa automaticamente 49 votos em todas as matérias, assim como bancadas partidárias não funcionam necessariamente como blocos ideológicos homogêneos.
O resultado das urnas, entretanto, estabelece uma nova realidade: o Senado que assume em 2027 será numericamente mais conservador, terá uma bancada do PL muito superior às demais e um centro partidário relativamente menor do que na legislatura anterior.
Essa nova correlação de forças deverá influenciar não apenas a relação entre o próximo presidente e o Congresso, mas também a escolha da presidência do Senado, a composição das principais comissões e a relação institucional da Casa com o Supremo Tribunal Federal.
QUADRO GERAL PROJETADO PARA 2027
PL — 28 • PT — 9 • MDB — 8 • PP — 6 • União Brasil — 6 • PSD — 5 • Republicanos — 5 • PSB — 4 • Novo — 3 • PSDB — 2 • Podemos — 2 • Rede — 1 • PDT — 1 • Sem partido — 1
A composição é uma projeção baseada no resultado de 4 de outubro e na situação atual das cadeiras com mandato até 2031. Segundo a Agência Senado, trocas partidárias, o segundo turno das eleições estaduais, a posse de suplentes e decisões judiciais ainda podem alterar a fotografia definitiva da Casa antes de fevereiro de 2027.