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ELEIÇÕES 2026

Oito pesquisas na véspera da eleição mostram disputa apertada entre Lula e Flávio Bolsonaro; veja os números e o que eles realmente indicam

Datafolha e Quaest apontam 51% a 49% nos votos válidos, enquanto outros levantamentos apresentam diferenças menores. Comparação exige cautela com margens de erro, métodos de coleta e abstenção.

João Branko | Redação HOJE BAHIA
Publicada em 24 de outubro de 2026 às 19:25 • Salvador - BA
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Lula e Flávio Bolsonaro aparecem em cenário de disputa acirrada nas pesquisas presidenciais divulgadas neste sábado (24), às vésperas do segundo turno das eleições de 2026.
Lula e Flávio Bolsonaro aparecem em cenário de disputa acirrada nas pesquisas presidenciais divulgadas neste sábado (24), às vésperas do segundo turno das eleições de 2026. — Ilustração produzida por inteligência artificial para o Hoje Bahia.

A um dia do segundo turno das eleições presidenciais, marcado para domingo (25), oito pesquisas nacionais divulgadas neste sábado apresentam um cenário de forte equilíbrio entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL).

O candidato do PL aparece numericamente à frente em sete levantamentos, enquanto Lula registra uma pequena vantagem na pesquisa Brazil Economy/Colectta. Entretanto, todas as oito pesquisas apontam empate técnico, conforme a interpretação de suas respectivas margens de erro.

As pesquisas Datafolha e Quaest, divulgadas no início da noite, chegaram ao mesmo resultado em votos válidos: 51% para Flávio e 49% para Lula.

O conjunto das pesquisas permite identificar as diferenças entre as medições, mas não autoriza tratar uma vantagem numérica como resultado eleitoral definido.

Confira os levantamentos divulgados neste sábado

Instituto Flávio Lula Margem de erro
Datafolha 51% 49% ±2,0 pp
Quaest 51% 49% ±2,0 pp
Gerp 52% 48% ±2,0 pp
BTG/Nexus 50,5% 49,5% ±2,2 pp
CNT/MDA 50,7% 49,3% ±2,2 pp
Instituto França 51,4% 48,6% ±2,5 pp
Brazil Economy/Colectta 49,7% 50,3% ±2,0 pp
Palver* 50% 49% ±2,2 pp

Os resultados das sete primeiras pesquisas são de votos válidos. A Palver divulgou 50% a 49% em votos totais, incluindo as demais respostas. Por essa razão, sua base é diferente e não deve ser comparada diretamente às demais.

As margens informadas referem-se aos levantamentos e não constituem uma margem de erro conjunta para a comparação entre institutos.

Datafolha e Quaest: o que mudou?

A pesquisa Datafolha entrevistou 4.050 eleitores entre os dias 23 e 24 de outubro. Nos votos totais, Flávio Bolsonaro marcou 48%, Lula registrou 47%, brancos e nulos somaram 3% e os indecisos, 2%.

Na rodada anterior, divulgada em 22 de outubro, os candidatos estavam numericamente empatados em 50% dos votos válidos cada. A passagem para 51% a 49% representa uma oscilação de um ponto percentual para cada candidato.

A Quaest, que ouviu presencialmente 3.702 eleitores nos dias 23 e 24, apresentou 46% para Flávio e 45% para Lula nos votos totais, além de 8% de brancos e nulos e 1% de indecisos.

Na pesquisa anterior, de 21 de outubro, os dois registravam, respectivamente, 45% e 44% nos votos totais.

Portanto, embora as duas pesquisas mais recentes apresentem uma vantagem numérica de Flávio nos votos válidos, suas variações em relação às rodadas anteriores não demonstram, isoladamente, uma mudança estatisticamente confirmada no comportamento do eleitorado.

Outros institutos também apresentam diferenças pequenas

A pesquisa CNT/MDA, encomendada pela Confederação Nacional dos Transportes, ouviu 2.002 brasileiros entre os dias 21 e 23 de outubro.

O levantamento registrou 50,7% dos votos válidos para Flávio e 49,3% para Lula, diferença de 1,4 ponto percentual. Na intenção estimulada total, os percentuais foram 46,3% e 45%, respectivamente.

Já o Instituto França apresentou 51,4% para Flávio e 48,6% para Lula, após ouvir 1.537 eleitores, entre 21 e 23 de outubro.

A Gerp registrou a maior diferença numérica entre os oito levantamentos analisados: 52% dos votos válidos para Flávio e 48% para Lula. O instituto entrevistou 2.400 eleitores e informou margem de erro de dois pontos percentuais, classificando o resultado como empate técnico.

Na direção oposta, a pesquisa Brazil Economy/Colectta apontou Lula com 50,3% e Flávio com 49,7% dos votos válidos. Foram entrevistados 3 mil eleitores, presencialmente, em 101 municípios das 27 unidades da Federação.

A novidade da BTG/Nexus: o peso da abstenção

Entre os levantamentos deste sábado, a pesquisa BTG/Nexus acrescentou um elemento à discussão: um modelo estatístico de eleitor provável.

Na amostra geral, Flávio Bolsonaro registrou 50,5% dos votos válidos, contra 49,5% de Lula.

Entretanto, ao aplicar um modelo que estima a probabilidade de comparecimento às urnas, os percentuais passaram a 52,4% para Flávio e 47,6% para Lula.

O procedimento considera, entre outros fatores, o histórico de participação eleitoral e a abstenção de 21% registrada no primeiro turno, excluindo da análise os entrevistados com menor probabilidade estimada de comparecimento.

É fundamental observar que esse segundo resultado não representa uma nova pesquisa independente nem o resultado oficial esperado da eleição. Trata-se de uma estimativa estatística condicionada às hipóteses do modelo.

Por isso, a diferença produzida pela metodologia deve ser apresentada separadamente dos percentuais obtidos diretamente na amostra geral.

A ponderação: o que se pode concluir?

A leitura conjunta dos levantamentos exige atenção a quatro aspectos.

1. Vantagem numérica não é sinônimo de vantagem estatisticamente confirmada.

O fato de Flávio Bolsonaro aparecer numericamente à frente em sete das oito pesquisas é uma característica observável do conjunto divulgado neste sábado. Isso, porém, não elimina as incertezas individuais das medições.

2. Os institutos não realizam exatamente a mesma pesquisa.

Há diferenças nos períodos de coleta, nas técnicas de entrevista, na composição das amostras, nos questionários e nos procedimentos de ponderação estatística.

Consequentemente, não seria adequado somar os entrevistados dos oito estudos e tratar o resultado como se todos tivessem participado de uma única pesquisa nacional.

3. Pequenas oscilações não comprovam uma tendência.

A passagem de 50% para 51% em uma rodada ou uma diferença de décimos entre candidatos pode refletir a variação amostral normal. Uma tendência consistente precisa ser avaliada pela evolução dos levantamentos comparáveis, sem desconsiderar as margens de incerteza.

4. O comparecimento às urnas permanece uma variável importante.

O Brazil Economy/Colectta registrou que 94,8% dos entrevistados com candidato escolhido consideram seu voto definitivo. Na BTG/Nexus, 94,3% afirmaram não pretender mudar de escolha.

Os dois resultados apontam elevado grau declarado de convicção entre os entrevistados. Ainda assim, intenção de voto, certeza da escolha e comparecimento efetivo são medidas diferentes.

O que observar no domingo?

Os resultados das pesquisas retratam as intenções declaradas pelos eleitores durante o período de entrevistas. Eles não são uma contagem antecipada dos votos.

No segundo turno, a Justiça Eleitoral considera apenas os votos válidos para definir o resultado, excluindo brancos e nulos.

A apuração oficial também incorpora elementos que as pesquisas procuram estimar, como a presença efetiva dos eleitores nas urnas e a distribuição final de seus votos.

O primeiro turno, realizado em 4 de outubro, já havia demonstrado a importância de considerar as diferenças entre as medições: Flávio recebeu 47,03% dos votos válidos e Lula, 45,16%.

Esse resultado anterior, contudo, não pode ser simplesmente transportado para o segundo turno, porque a composição da disputa mudou.

Conclusão

As pesquisas divulgadas neste sábado apresentam percentuais próximos, com vantagem numérica de Flávio Bolsonaro na maioria dos levantamentos, mas sem afastar o empate técnico apontado pelos institutos.

A principal conclusão estatisticamente prudente é que os estudos registram uma disputa presidencial apertada, na qual diferenças pequenas precisam ser interpretadas junto às margens de erro e às características de cada método.

A definição do resultado caberá aos votos efetivamente registrados e contabilizados pela Justiça Eleitoral neste domingo, 25 de outubro.

HOJE BAHIA — Informação, contexto e responsabilidade com os números.

Fichas técnicas e registros eleitorais

  • Datafolha: 4.050 entrevistados; TSE BR-09540/2026.
  • Quaest: 3.702 entrevistados; TSE BR-09158/2026.
  • Gerp: 2.400 entrevistados; TSE BR-09327/2026.
  • BTG/Nexus: 2.000 entrevistados; TSE BR-08234/2026.
  • CNT/MDA: 2.002 entrevistados; TSE BR-02136/2026.
  • Instituto França: 1.537 entrevistados; TSE BR-04863/2026.
  • Brazil Economy/Colectta: 3.000 entrevistados; TSE BR-05601/2026.
  • Palver: 5.000 entrevistados; TSE BR-01794/2026.

Os levantamentos informam níveis de confiança de 95%, com exceção da Gerp, que declara 95,55%. As margens de erro estão detalhadas no quadro comparativo.

Apuração do Hoje Bahia realizada em 24 de outubro de 2026, com base em resultados publicados pelos institutos e pela imprensa. Outros levantamentos com divulgação prevista para este sábado, incluindo AtlasIntel, Futura/Apex, Simplex e Veritá, não tiveram seus resultados nacionais desta rodada confirmados nesta apuração até o horário de fechamento. O registro de uma pesquisa no TSE não significa, por si só, que seus resultados tenham sido divulgados.

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