A um dia do segundo turno das eleições presidenciais, marcado para domingo (25), oito pesquisas nacionais divulgadas neste sábado apresentam um cenário de forte equilíbrio entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL).
O candidato do PL aparece numericamente à frente em sete levantamentos, enquanto Lula registra uma pequena vantagem na pesquisa Brazil Economy/Colectta. Entretanto, todas as oito pesquisas apontam empate técnico, conforme a interpretação de suas respectivas margens de erro.
As pesquisas Datafolha e Quaest, divulgadas no início da noite, chegaram ao mesmo resultado em votos válidos: 51% para Flávio e 49% para Lula.
O conjunto das pesquisas permite identificar as diferenças entre as medições, mas não autoriza tratar uma vantagem numérica como resultado eleitoral definido.
Confira os levantamentos divulgados neste sábado
| Instituto | Flávio | Lula | Margem de erro |
|---|---|---|---|
| Datafolha | 51% | 49% | ±2,0 pp |
| Quaest | 51% | 49% | ±2,0 pp |
| Gerp | 52% | 48% | ±2,0 pp |
| BTG/Nexus | 50,5% | 49,5% | ±2,2 pp |
| CNT/MDA | 50,7% | 49,3% | ±2,2 pp |
| Instituto França | 51,4% | 48,6% | ±2,5 pp |
| Brazil Economy/Colectta | 49,7% | 50,3% | ±2,0 pp |
| Palver* | 50% | 49% | ±2,2 pp |
Os resultados das sete primeiras pesquisas são de votos válidos. A Palver divulgou 50% a 49% em votos totais, incluindo as demais respostas. Por essa razão, sua base é diferente e não deve ser comparada diretamente às demais.
As margens informadas referem-se aos levantamentos e não constituem uma margem de erro conjunta para a comparação entre institutos.
Datafolha e Quaest: o que mudou?
A pesquisa Datafolha entrevistou 4.050 eleitores entre os dias 23 e 24 de outubro. Nos votos totais, Flávio Bolsonaro marcou 48%, Lula registrou 47%, brancos e nulos somaram 3% e os indecisos, 2%.
Na rodada anterior, divulgada em 22 de outubro, os candidatos estavam numericamente empatados em 50% dos votos válidos cada. A passagem para 51% a 49% representa uma oscilação de um ponto percentual para cada candidato.
A Quaest, que ouviu presencialmente 3.702 eleitores nos dias 23 e 24, apresentou 46% para Flávio e 45% para Lula nos votos totais, além de 8% de brancos e nulos e 1% de indecisos.
Na pesquisa anterior, de 21 de outubro, os dois registravam, respectivamente, 45% e 44% nos votos totais.
Portanto, embora as duas pesquisas mais recentes apresentem uma vantagem numérica de Flávio nos votos válidos, suas variações em relação às rodadas anteriores não demonstram, isoladamente, uma mudança estatisticamente confirmada no comportamento do eleitorado.
Outros institutos também apresentam diferenças pequenas
A pesquisa CNT/MDA, encomendada pela Confederação Nacional dos Transportes, ouviu 2.002 brasileiros entre os dias 21 e 23 de outubro.
O levantamento registrou 50,7% dos votos válidos para Flávio e 49,3% para Lula, diferença de 1,4 ponto percentual. Na intenção estimulada total, os percentuais foram 46,3% e 45%, respectivamente.
Já o Instituto França apresentou 51,4% para Flávio e 48,6% para Lula, após ouvir 1.537 eleitores, entre 21 e 23 de outubro.
A Gerp registrou a maior diferença numérica entre os oito levantamentos analisados: 52% dos votos válidos para Flávio e 48% para Lula. O instituto entrevistou 2.400 eleitores e informou margem de erro de dois pontos percentuais, classificando o resultado como empate técnico.
Na direção oposta, a pesquisa Brazil Economy/Colectta apontou Lula com 50,3% e Flávio com 49,7% dos votos válidos. Foram entrevistados 3 mil eleitores, presencialmente, em 101 municípios das 27 unidades da Federação.
A novidade da BTG/Nexus: o peso da abstenção
Entre os levantamentos deste sábado, a pesquisa BTG/Nexus acrescentou um elemento à discussão: um modelo estatístico de eleitor provável.
Na amostra geral, Flávio Bolsonaro registrou 50,5% dos votos válidos, contra 49,5% de Lula.
Entretanto, ao aplicar um modelo que estima a probabilidade de comparecimento às urnas, os percentuais passaram a 52,4% para Flávio e 47,6% para Lula.
O procedimento considera, entre outros fatores, o histórico de participação eleitoral e a abstenção de 21% registrada no primeiro turno, excluindo da análise os entrevistados com menor probabilidade estimada de comparecimento.
É fundamental observar que esse segundo resultado não representa uma nova pesquisa independente nem o resultado oficial esperado da eleição. Trata-se de uma estimativa estatística condicionada às hipóteses do modelo.
Por isso, a diferença produzida pela metodologia deve ser apresentada separadamente dos percentuais obtidos diretamente na amostra geral.





